18 de fevereiro de 2015

ANDA, MEU ENCANTO, OUVIR UMAS PALAVRINHAS DO TEU JESUS

Balasar, 20 de Janeiro de 1939

Viva Jesus!

Meu Paizinho,

Há pouco mais duma hora que acabou a paixão: que foi bem dolorosa. Estive a descansar e agora com muito custo vou-lhe dizer umas palavrinhas.


Antes de principiar, chamou-me Nosso Senhor:
— Anda, meu encanto, ouvir umas palavrinhas do teu Jesus. De novo te venho pedir uma esmolinha como o pobrezinho à porta do benfeitor. Não pede ele vezes sem conta?
— Ó meu Jesus eu aceito tudo, sofro tudo pelo Vosso divino Amor e para fins que tendes em vista: contanto que me deis força.
— Dou, estou contigo, acompanho-te sempre com o teu Cireneu.
O meu Jesus cumpriu a promessa. Acompanhou-me. No caminho do Calvário, quando eu sentia que estava tonta, tonta a desfalecer, disse-me Jesus:
— Vem agora o teu Cireneu para te dar força e coragem.
Sinto então que os auxílios do meu Paizinho me ajudavam a caminhar.
Já estou com tremendas dúvidas. Principiaram quase logo. Ai, meu Jesus: Ó meu Paizinho, custa tanto, tanto, parecer que sou eu quem faço tudo. Faça-se em tudo a vontade do meu Jesus. Não sei o que sinto, certamente é o demónio que não quer que eu dite esta carta. É uma força que parece que me arrasta para trás. Mas se é ele, não venceu.
Agora vai o que Nosso Senhor me disse no fim da paixão.
Queríeis mais almas para as crucificar como este amor, como esta louquinha e não as tendes? Querem amor, mas não querem sofrimentos? Querem-se assemelhar a Vós, mas não querem ser crucificadas? O mundo está preso num fiinho tão quebradiço? Dum instante para o outro ou o Santo Padre se move a consagrá-lo ou o castigo vem ao mundo? A vossa Imaculada Mãe tem o remédio para tudo? Mas até lá crucificais a Vossa louquinha? A consagração do mundo tem tantas vantagens? Faz que desça o perdão e a paz do Céu à terra? Faz que vão a Vós os corações, e afervora as almas no amor à Vossa Mãe Santíssima? Vós quereis que Ela seja amada? Ela está entre o pecador e a mão da Justiça Divina? É a salvação da humanidade? Que remédio tão salutar! Depressa, depressa a aplicá-lo! Ai, que maldade vai pelo mundo? Sofrestes tanto? É assim que sois recompensado? Pobre Jesus! Quero amar-Vos e reparar esses crimes. Aqui me tendes pronta para tudo Jesus. Se mil corpos tivesse, mil Vos dava par serem crucificados. Eu agradeço-te, meu encanto, e aceito-te os teus desejos. Não tendes que agradecer-me, meu Jesus, estes desejos são Vossos: Vós mos destes, eu vo-los entrego.
Agora mando isto para o meu Paizinho. Fará ele como bem entender?
Será bom mandar esta notícia ao Santo Padre? Digo, tudo, tudo ao meu Paizinho. Digo-lhe que o amais muito, muito, muito? Que estais sempre contente com o que ele faz. Sim Jesus. muito obrigada: Eu Vos agradeço por ele.
Lembranças da minha mãe, de Deolinda e Çãozinha.

A bênção e perdão para a pobre, a mais pobre de todas as criaturas. Alexandrina.

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