15 de fevereiro de 2015

ESTUDE-ME, ESTUDE-ME !

As dúvidas da Alexandrina

As cartas da Beata Alexandrina ao seu Director espiritual, o Padre Mariano Pinho, sj, são uma fonte de ensinamentos espirituais e também, por vezes históricos, se bem que elas não tenham sida escritas com esse fim.



O ano 1939 – ano em que ela mais vezes escreveu ao seu “Paizinho” espiritual – é muito importante em ensinamentos espirituais, mas também históricos: foi o ano em que – oficialmente – começou a segunda guerra mundial.

A natureza de certas revelações recebidas de Jesus pela “Doentinha de Balasar”, são de índole a perturbá-la e mesmo a fazê-la duvidar dela mesma: Terá ela bem interpretado as palavras divinas? Terá compreendido bem o que Jesus lhe disse?

Daí as perguntas angustiadas, como esta, ao seu “Paizinho” espiritual:

“O meu Paizinho conhece bem quem eu sou?” ou ainda: “Afigura-se-me que tenho uma responsabilidade tão grande por andar tudo enganado comigo”.

Ela tem medo de enganar e este medo vai durar muito tempo e por muito tempo ainda ela vai fazer perguntas, cada vez mais angustiadas, ao seu Director espiritual. Várias vezes ela lhe pedirá, com a maior sinceridade de a estudar, de saber se tudo o que nela se passa vem de Deus ou dela. Um desses “gritos” e talvez o mais pungente, ela escreve-o em 8 de Abril desse ano 1939:

– Ai meu Jesus, que horror tenho de mim mesma. Que vergonha meu Paizinho, que vergonha da minha maldade, da minha miséria. Se o mundo pudesse ver o que sou no meu íntimo. Eu não queria que ninguém se escandalizasse comigo mas se eu pudesse conseguir mostrar o que sou para ninguém se enganar comigo. Meu Paizinho, por amor de Jesus e Maria, estude-me estude-me.

No dia seguinte ela volta a escrever ao Director: o seu estado espiritual não melhora: continua com os mesmos “sintomas”. Ouçamo-la:

“Numa tristeza profunda fui passando o dia com o tormento das dúvidas, ora duma coisa, ora doutra”.

Mas Jesus que nunca abandona as almas que Ele escolhe para grandes causas, veio animá-la, incutir-lhe coragem, mas prevenindo-a que ira continuar naquele mesmo sofrimento. Então, a Alexandrina, como sempre, entrega-se ao bom querer divino:


– Eu aceito tudo Jesus, mas dai-me coragem, dai-me força, dai-me confiança. Dai-me amor para morrer de amor.

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