16 de fevereiro de 2015

EU SEREI A TUA FORÇA

Balasar, 6 de Janeiro de 1939

Viva Jesus!

Meu Paizinho,

Vou ver se consigo ditar algumas palavras depois da minha paixão. Hoje foi muito dolorosa. Por várias vezes Nosso Senhor me disse que era a minha força porque, eu, me sentia desfalecida.

Antes de principiar a paixão, Nosso senhor disse-me:


— Tens coragem, meu encanto? Eu serei a tua força, o teu Cireneu ajudar-te-á de longe como se estivesse perto. Faz, meu amor, o que o teu Jesus agora não pode fazer, mas é o que os pecadores renovam com os seus pecados.

A minha alma está muito atribulada. Tenho tantos momentos que me parece não poder mais: tremendas dúvidas me afligem. Eu tenho nojo de mim. Sinto-me abandonada de todos, mas conheço bem que todos me deviam deixar e fugir espavoridos de mim.

Anseio por o dia que o meu Paizinho me possa dar um pouco de conforto.

O que será de mim daqui até lá! Nosso Senhor continua a enviar-me miminhos. São para Lhe tornar a oferecer, mas custam-me tanto!

Ontem tive aqui o Senhor Cónego Vilar, vinha do mando da Santa Sé.

O meu Paizinho já sabe? Mesmo sem ele me dizer nada, pensei e não me enganei, ao que ele vinha. Falou muito bem. Gostei muito dele. Parecia-me um santinho. Não deixou, com tudo isto, de me custar imenso. Fez-me várias perguntas que a tudo respondi, como sabia. Como ele não trazia cartão nenhum do meu Paizinho, já tinha dúvidas se procederia mal. Se fiz mal, peço desde já que me perdoe. Bem sabe que em nada lhe quero desobedecer. Se fosse outro Senhor Padre qualquer, que não viesse mandado como ele veio, claro está, que lhe não dizia nada.

Ele disse-me que talvez cá voltasse e hoje, o nosso senhor Abade, quando me veio trazer Nosso Senhor, disse-me que o Senhor Cónego Vilar talvez cá viesse na próxima sexta-feira, se pudesse. Ainda bem que o meu Paizinho está aqui na freguesia.

Não lhe mando nada do que Nosso Senhor me tem dito. Quando o meu Paizinho vier, cá encontrará tudo.

Só na passada terça-feira é que me não falou. Tenho-me sentido abatida, que faria se Nosso Senhor me não falasse, como me tem falado. Ele conhece tudo, sabe tudo, e se me não deitasse a mão, estava sempre caída. Pobre Jesus que é por mim tão mal servido! Preocupa-me tanto isto!

Lembranças aos Senhores Padres que aqui vierem.

Por Caridade, peça muito, muito por mim. Lembranças da minha mãe, da Deolinda e da Çãozinha.


Abençoe, por caridade, a pobre Alexandrina.

Sem comentários: