24 de junho de 2011

E AS MINHAS CHAGAS SANGRAM

Todo o mar da minha dor é de espinhos

Que grandes, que agudos espinhos têm ferido o meu coração.

― Ó Jesus, quantos desabafos, quantos suspiros e lágrimas só para vós ! Dai-me a conhecer, meu Jesus, iluminai-me, divino Espírito Santo, se eu sentir-me assim ferida, tão profundamente magoada, se é melindre meu, se é orgulho da minha parte, para eu me emendar de tão grandes defeitos. Ó maldito orgulho, ó maldito amor próprio, que tanto ofendes a Jesus ! Tenho tantos desejos de me conhecer, de ma transformar num coração humilde e dócil, de ser só bondade e doçura para todos ! Jesus, Jesus, tudo por Vosso amor. Vede a dor do meu coração só com o receio de vos ofender. Paga bem caras as minhas maldades ; sofro e sofro imenso por ser má. Eu não tenho pena de dar a conhecer aquilo que sou, mas sim por ferir o meu Jesus e dar tão mau exemplo. Todo o mar da minha dor é de espinhos. Luto, nado neles, noite e dia. Eu não vivo, eu não sofro, nem nado nestes espinhos, é um sopro que existe em mim, a sofrer e a ser nos espinhos ferida. Ai, Jesus, a minha vida se é que é vida, se sou eu que vivo, não vivo para vos amar, vivo uma vida morta, sinto que vivo uma vida imunda de podridão. E as minhas chagas sangram, os espinhos da cabeça penetram fundos, muito fundos, trespassam os olhos e os ouvidos e o sangue corre de tantas feridas, a lança abre-me o coração, cercado de espinhos ; já quase não existe parte dele e do peito ; a podridão tem feito desaparecer. Que covas eu sinto em mim. Ó Jesus da minha alma, poderá este sofrimento servir de consolação para vós ? Se assim é, Jesus, é pouco ainda, dai-me mais, muito mais. O dia de Carnaval foi um dia de grande tormento para a minha alma. Custou-me a resistir com as saudades de me alimentar. Que sofrimento quase insuportável. Foi com muito custo que encobri as lágrimas. Queria desabafar e desabafar muito ; queria dizer que dava grande soma de contos, se eu tivesse, para me alimentar. Queria dizer : se soubessem o que sofro com estas saudades, não diziam que era falso eu não me alimentar. Ai, que me dera comer como vós, eu tentava dizer aos meus. Fitei o Sagrado Coração de Jesus com os olhos rasos de lágrimas. Lembrei-me do dia, que era de tantas ofensas para Ele, ofereci-lhe o sacrifício e todo o meu sofrimento em reparação.

― Ó Jesus, ó Mãezinha, é por vosso amor, é pelas almas que eu quero encobrir toda a minha dor ; para vós, só para vós os meus desabafos.

O dia passou, e assim vão passando outros sem uma palavra de queixume, mostrando-me o mais possível satisfeita com a minha cruz.

(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 13 de Fevereiro de 1948 – Sexta-feira)

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