21 de junho de 2011

O AMOR NÃO É AMADO

Ai, se não fosse a minha ignorância!

É tão grande o meu esforço e o meu sacrifício em ditar estas palavrinhas! É indizível o meu sofrimento, se não é triste desgraça de eu não saber sofrer. E sem dúvida quem não sabe sofrer parece-lhe que sofre muito, quando na realidade não sofre nada.

— Meu Jesus, meu Jesus, ensinai-me a sofrer o mais possível em silêncio e a esconder o mais que puder a minha dor. Ai de mim que não oro, ai de mim que não amo o Amor que não é amado. Eu perdi tudo, perdi Jesus e a Mãezinha e parece até ter perdido a fé. Não quero duvidar, a razão obriga-me a crer e a repetir: creio, creio que não perdi uma coisa nem a outra. Estou nos braços de Jesus, dei-me a Ele pela Mãezinha e creio, vivo nesta esperança sem crer, nem ter esperança. Eles hão-de pôr o mérito na minha vida, já que por mim nada tenho, já que fui e sou roubada pela inutilidade, já que passei a viver a minha eternidade sem nada, nada possuir. O meu túmulo, a minha vida lá pelos abismos vai continuando com os suores da alma e do corpo. A minha velhice também. Ai que horror! Sinto-me arrastada por cordas, coroada de espinhos, cuspida, esbofeteada; todo o meu ser é sangue. O coração apunhalado, alanceado, jorra sangue, sofre dor tão grande, tão grande, é infinita. A morte vem para mim a passos gigantescos. Sofrimento pavoroso. Apesar disto, todo o meu ser se consome. São infinitas, tão infinitas as minhas ânsias de amar a Jesus, de dar almas a Jesus, de falar de Jesus e de fazer que o Seu reinado chegue aos confins do mundo. Ai, se não fosse a minha ignorância! Ah! Se eu pudesse falar e soubesse falar, nunca, nunca terminava de dizer, porque tudo isto é infinito, grande como Deus!

Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 19 de Março de 1954)

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