21 de junho de 2011

ELE CHORAVA, E EU CHORAVA

Com o Seu manto limpei-Lhe as lágrimas

O Senhor desapareceu. Uma montanha negra, pavorosa, que chegava ao céu, me separou d’Ele. Apoiada na fé e nas ânsias de amor, fui subindo, fui subindo até que atingi o seu fim, consegui calcá-la e de novo passar o além e de novo encontrar Jesus.
— “Minha filha, vítima da humanidade, esta montanha é montanha de vícios, crimes hediondos. Destrói-a, calca-a, esmaga-a com o teu martírio, à semelhança da minha Bendita Mãe, a calcar, a esmagar a cabeça da serpente. Sofre, sofre, triunfa com Ela. Se não fosse a Sua santíssima mão, neste ano, que Lhe é dado, a sustentar a mão vingadora de meu Pai, já o Céu se tinha aberto em fogo a queimar o mundo, a puni-lo. Faz, faz, minha filha, que Ela seja amada, que todo o culto e louvor Lhe sejam dados. Os meus filhos, os meus filhos a perderem-se; o meu Sangue divino a ser derramado inútil!”
Eu estava inclinada sobre o lado de Jesus, Ele chorava, e eu chorava. Com o Seu manto limpei-Lhe as lágrimas e Ele com o mesmo limpou-me as minhas.
— “Sofre tudo, sofre tudo. O teu Céu está perto. A tua missão, a mais difícil, mais alta e sublime, não é compreendida. Eu triunfo sobre tudo e depressa, muito depressa, no Paraíso tu a vais continuar, dando ao mundo toda a luz e todo o brilho.”
— Sem o fim da recompensa, tudo aceito, tudo sofro. Não choreis, Jesus, sede a minha força.
Jesus meteu-me toda no Seu Divino Coração. Eu para dentro dele comecei a arrastar a humanidade. No mesmo momento, Jesus injectou-me o Seu Sangue.
— “Recebe, minha filha, a gota do meu Divino Sangue, a vida de que tu vives. Recebe amor para dares amor, luz para as tuas trevas, conforto para a tua dor. Acode ao mundo, salva os pecadores.”
Pus-me a fazer os meus pedidos, mas já sem a Sua divina presença. Com actos de fé fui-Lhos fazendo e voltei para a minha cruz.
Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 12 de Março de 1954)

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