2 de agosto de 2011

ATÉ NO CÉU ERA NOITE - Parte II

Minha filha, escola das maravilhas

O dia da Ascensão de Jesus ao Céu foi para mim cheio de noite escura; foi uma morte total de todas as coisas. Até no Céu era noite e reinava a morte. Não pude ansiar pela minha Pátria, nem recordar o que se passava lá. Caminhei para o Horto sempre arrastada pela maldade. O meu coração tornou-se uma bola, um entretenimento dos homens; em tão curta viagem, recebeu todos os maus-tratos. Os caminhos eram ladrilhados de agudos e variados espinhos para o ferirem. Vi ao lado, em visão bem clara, o Calvário, e, no cimo, a cruz. A cruz era a minha, não digo bem, era a de Jesus. Quando assim falo, é dele e só dele, porque é Ele a sofrer em mim, eu só O acompanho. Senti que Ele se queria refugiar, e para uma gruta me refugiei com Ele. O que ali sofreu Jesus! O sangue que Ele soou! O sangue que caiu do Seu Divino Coração duramente espremido, enquanto o cálice da amargura, transbordou fora. Ofereceu-o ao Pai; Este mandou o Anjo, a confortá-Lo. Ela desceu e colocou-se, ao lado de Jesus, como para O levantar. O Calvário com a cruz não desapareceu. O mundo com a sua maldade continuou a agravar os Seus sofrimentos. Depois, o beijo de Jesus e nada mais. Hoje, de manhãzinha, entrei nas ruas do Calvário. Quase no princípio, caiu Jesus, pela primeira vez; caiu sobre a cruz, feriu gravemente o Seu santíssimo rosto e peito. Desfalecida, oprimida por tão grande peso, segui com Ele o caminho do calvário. Caiu, segunda vez, e eu caí também. Senti e ouvi os estalos das pancadas que despedaçavam o Seu santíssimo corpo. Cheguei ao cimo, vi a esponja, que de nada valia para a sede, em que ardia Jesus. No alto da cruz, de todas as feridas dos espinhos saíam raios doirados; formavam um só brilhante. Estes raios, este sol resplendoroso enchiam a terra, mas este levantou sobre eles negras muralhas, para deles se esconder; rejeitou-os. Daqui nasceu o brado e a agonia contínua de Jesus. Sofri com Ele até ao último momento, até que agonizei e deixei o coração mais duro que a dura pedra. Veio, pouco depois Jesus; transformou-o de dureza para luz e bondade.
― Minha filha, escola das maravilhas, de todas as maravilhas de Jesus, rainha do mundo o qual eu quero e é urgente que a esta escola venha todo aprender. És escola de maravilhas, porque em ti há do mais alto e sublime; em ti há tudo o que é do Céu, tudo o que é de Deus. És rainha do mundo, porque to entreguei e confiei para o salvares. Quero que em ti aprenda; e quanto tem que aprender! Em ti aprende a amar, a sofrer, a cumprir em tudo a lei do Senhor; em ti pode admirar as maravilhas, que o mesmo Senhor em ti depositou. Não foi para ti, Minha esposa querida, que assim te fez rica e poderosa; foi para as almas, foi para as almas, foi para as salvar.
― Ó meu Jesus, ó meu Jesus, como eu sou pequenina, como me sinto humilhada, queria desaparecer de diante de Vós. A minha humilhação não é por ouvir-Vos falar assim, porque falei das Vossas coisas, mas sim por me teres escolhido para depositária das Vossas graças, preferindo-me a tantas criaturas. Que vergonha, meu Jesus!
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(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 16 de Maio de 1947 - Sexta-feira)

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