8 de agosto de 2011

TENHO TANTO MEDO DO DEMÓNIO

Quero sofrer tudo, mas quero salvar as almas

Depressa voltou novamente a dizer-me:
― Minha filha, esposa querida, coração do Meu coração, luz dos Meus divinos olhos, vem saciar-te, vem ao amor, vem receber vida; recebe para ires espalhá-lo. Consola-Me, acode às almas; as tíbias arrefecem, gelam cada vez mais, os pecadores fogem-Me. Acode-lhes, pede-lhes que escutem a voz de Jesus, que atendam ao Seu chamamento. Tem dó de Mim, vê a Minha agonia. Dá-Me dor, dá-Me dor, a tua dor é de salvação.
― Ó meu Jesus, sofro tanto pelas almas e elas gelam, e os pecadores fogem-Vos? De que vale então os meus sofrimentos? Eu quero sofrer tudo, mas não Vos quero ver sofrer, quero sofrer tudo, mas quero salvá-las; e nada faço, e nada faço, meu Jesus.
― Ai do mundo sem ti, ai do mundo sem o teu martírio! O teu sofrimento vence o coração de Deus; o teu martírio é de redenção. Eu farei que tenhas todo o poder sobre as almas. Que maravilhas, que grandes transformações Eu por ti opero nelas! Que grandes prodígios, depois da tua morte! Tens todo o poder sobre elas, e poderosa és sobre os demónios. A visão que te dei das serpentes, foi para dar luz; estudem-na bem para bem a compreenderem. Escolhi a festa do Divino Espírito Santo; deixem-se iluminar pela sua luz. Os arcos levantados eram as torres maliciosas de Satanás. Ele envenenou tudo, a malícia subiu ao seu auge. As arcadas eram arcadas sedutoras. Tu não foste pela serpente envenenada; ela não te mordeu; foste apenas vítima. Não te disse Eu já há muito tempo que, à semelhança de Minha Bendita Mãe, serias poderosa sobre os demónios. Era um Anjo, à semelhança de outro anjo, a combater a serpente maligna. Uma virgem, à semelhança doutra virgem, Minha Mãe Santíssima, a calcá-la, a aniquilá-la. Ela gemia sobre o teu poder; mas sua vida continua, o veneno continua a envenenar e continuará sempre até ao fim. É o retrato do paraíso; luta e vencerás; combate e nada temas. Coragem, cofre riquíssimo, mar imenso das maravilhas de Jesus.
― Mas Jesus, tenho tanto medo do demónio e receio tanto enganar-me! Sou a Vossa escrava, confio na Vossa misericórdia.
― Não temas o maldito, Minha filha; ele não vence, nada poderá contra ti; tu não Me ofendes. O segundo ataque que te pedi, foi a reparação da família. Que crimes tão grandes se comentem entre os esposos! Confia em Mim; tu não te enganas. O teu sofrimento, mesmo quando estás em colóquios comigo, sou Eu que o permito; são colóquios dolorosos, é maior a reparação que Me dás, e o proveito é para as almas. Para veres que não te enganas, retira-te agora de Mim, deixa-Me ficar sozinho.
― Não posso, Jesus; estou presa a Vós, deixai-me então que eu vá.
― Compreendes então, filha querida, que não te enganas, que estás na verdade, que estás comigo?
― Sim, Jesus; agora compreendo, não tenho dúvidas. Não sei que luz e fogo é este; sinto o meu coração arder.
― É a luz do Divino Espírito Santo, é o fogo do Meu divino amor. Enche-te, toma conforto; e recebe juntamente a tua vida, a gotas do Meu Divino Sangue.
Jesus fez outra vez do Seu Coração uma canequinha, pela qual deixou cair no meu a gotinha do Seu Sangue divino; colocou-a novamente dentro do Seu Santíssimo peito, cerrou-o, cerrou o meu e disse-me:
― A cruz espera-te; vai para ela, abraça-a, beija-a, é a cruz da redenção. A tua dor, o teu amor salva as almas. A tua dor não ma negues. Vai para o mundo com o teu martírio, leva a minha graça, leva o meu divino amor. Semeia, semeia com canseira, semeia com o teu sorriso.
― Obrigada, obrigada, meu Jesus. Sim, eu vou, mas fico convosco; eu vou, mas vinde comigo, sede a minha força.
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(Beata Alexandrina: “Sentimentos da alma”, 30 de Maio de 1947 - Sexta-feira)

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