3 de agosto de 2011

DÁ-ME DOR, DÁ-ME AMOR

Minha filha, coração de fogo
Veio Jesus, chamou-me:
― Minha filha, coração grande, coração ardente, coração de fogo, sacrário da minha habitação; és o meu Céu na terra, paraíso das Minhas delícias. Sim, aqui delicio-me; posso dizer que ainda há corações na terra, mas bem poucos, que Me amam e onde Eu tenho a Minhas delícias. O teu é um desses, permite-Me que te diga; confia em Mim, que sou O teu Jesus: o teu coração é o que Me ama sobre todos, e sobre todos no que mais Me delicio. O teu amor delicioso, Eu o coloco na taça da tua dor; é uma oferta contínua, dia e noite, sem parar um momento, que Eu ofereço a Meu eterno Pai. Esta taça de dor e de amor delicioso é escora que sustenta o braço da Sua justiça pendente a cair sobre a terra. Dá-Me dor, dá-Me amor, dá-Me tudo, Minha filha. O Meu eterno Pai ao aceitar e contemplar a oferta, que Lhe dou, vai esquecendo como sou ofendido. Oferece-Me, filha querida, todo o teu martírio, une-o ao Meu sangue Divino e às dores da Minha Bendita Mãe, e nesta união, na renovação contínuo da Minha paixão, tu receberás do Céu toda a força, todas as graças, todo o poder, para acudires às almas. Salva-mas, salva-mas, que são Minhas. E vê o trato que Me dão.
Quando Jesus levantava para o Seu Eterno Pai uma taça formosíssima, era belo, cheio de luz. Quando me disse para eu ver o mau trato, que Lhe davam as almas, caiu por terra, feito um mendigo, sem formosura, sem luz e sem nada. Caiu de repente com os maus-tratos, que Lhe davam, como uma árvore, que num rápido momento é cortada. Quando vi Jesus caído, lancei-me a Ele, deitei-Lhe as minhas indignas mãos e bradei-Lhe:
― Levantai-Vos, levantai-Vos, meu Jesus: quero cair eu, debaixo desta chuva de maldades, mas não quero ver-Vos sofrer. Dizei-me, Jesus, o que posso dar-Vos, o que posso fazer.
― Dor, dor Minha filha; dor e amor. Pede, pede aos que cuidam da Minha divina causa; diz-lhes que Jesus pede: quero oração, quero penitência, quero vida pura, quero vida nova. Que não cessem de pedir isto aqueles, a quem confiei aquilo que mais caro tenho na terra.
― Meu Jesus, tudo Vos dou sem ter que Vos dar; não sei amar-Vos, não sei sofrer, dou-Vos tudo o que é Vosso; sou a Vossa vítima.
― Amas-me, filha querida; sabes sofrer e comigo tudo vences. Vou pedir-te alguns combates do demónio; dá-mos, confia que não Me ofendes. Eu queria que a tua vida, esposa querida, fosse espalhada, depressa chegasse aos confins do mundo como chuva de Formosas rosas caídas do Céu. Que chuva de maravilhas, bálsamo de salvação para as almas. Recebe a gota do Meu sangue Divino; corre o sangue de Jesus nas tuas veias, é a tua vida, é a vida que espalha, é a vida que infundes nos corações e nas almas. Deixa-Me unir o centro dos dois; não deixo que o teu se dilate.
Jesus uniu os nossos corações, a gotinha do Seu divino sangue caiu no meu e Ele logo os separou; acariciou-me e disse-me:
― É a vida é a força do tua dor. Vai, esposa, vai, amada, vai para a cruz que te espera; leva a graça, leva o sorriso, leva o conforto, beija-a abraça-a, não Me deixes mais. Eu opero milagres sobre a tua vida; sem este milagre não resistirias a tanto sofrer. Quando deixar de o operar, a tua alma voará ao Céu como pomba branca, saída da prisão. Está bem perto, tem coragem! Vai dar-te às almas, vai salvá-las. Vê quanto Eu faço por elas; mesmo assim ofendido, abro-lhes o peito, ofereço-lhes o coração; e elas como demónio em seus corações não Me dão aceitação, recusam a entrada, preferem-na a ele. Não és tu que possuis em ti o demónio; é o mundo, é o mundo; tu és vítima. Coragem, coragem! Leva amor, leva a tua cruz. O mundo é teu; confiei-to; acode-lhe, salva-o com a tua dor, com o teu amor, com o teu calvário.
― Obrigada, meu Jesus
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(Alexandrina de Balasar: Sentimentos da alma, 23 de Maio de 1047 - Sexta-feira)

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