2 de agosto de 2011

MUITO OBRIGADA, MÃEZINHA - Parte III

Um bando de Anjos

Jesus continuou:
― Criei-te para esta vida, para a salvação das almas, para a missão mais sublime. Eu encontrei em ti, na mais tenra idade, o que não encontro nas outras criaturas. Digo-te, não para elogio, porque sem Mim nada podes, mas sim para tua força e conforto. Tem coragem! Tu serás para o mundo uma nova arca de Noé. Tu serás para toda a humanidade o sol, que a ilumina. Coragem, Minha redentora, Minha crucificada. O teu amor, o teu sofrimento é a arca de salvação. Confia, confia; são tuas as almas. Vou dar-te com a gota do Meu Divino sangue uma efusão do meu amor, sabes para quê? Para o dares, para o distribuíres; e para que em teus olhares e vida transpareça tudo o que é celestial. Desce o Céu a assistir.
Um bando de Anjos mais vasto que a chuva miudinha desceram, a baterem as asas, cheios de luz. Mais atrás, um bando sem número de pombas brancas. Por último desceu a Mãezinha, coroada de rainha, num grande trono; colocou-se à minha frente; senti como se o meu peito fosse aberto, e a Mãezinha colocou no meu coração as Suas Santíssimas mãos. Do coração divino de Jesus saiu para o meu, fogo, muito fogo; e por último a gotinha de sangue. Com este calor ardente e o sangue de Jesus, o coração dilatou-se, fiquei sem poder respirar. A Mãezinha fazia do coração uma bola que ela acariciava; com estas carícias e beijos, que ela me dava, aguentei o amor de Jesus.
― Minha filha, coragem, coragem ― disse-me Ela.
O peito cerrou e a Mãezinha com os Anjos e o bando das pombas brancas principiou a subir. Ao vê-La partir, disse-lhe:
― Muito obrigada, Mãezinha; levai-me convosco para o Céu.
― Espera, Minha filha, mais um pouco; tem coragem! Depressa virás para a tua Pátria.
― Não demora, não demora o teu Céu, Minha filha ― continuou Jesus, que ficou comigo. Viste o bando das pombas brancas? Foram de almas que estão no Céu já salvas por ti. Diz-Me muitos actos de amor; tens por cada um uma alma. É a troca; vê que vale a pena. Mas olha; quem muito dá muito quer receber. Eu tudo te dou; enriqueço-te, mas quero dor, sempre dor, dor sem igual; é com o amor a moeda das almas. Confia em Mim, estrela do mundo, flor mimosa do Paraíso. Vai para o teu posto, vai para a tua cruz; saboreia tudo o que é dor, que é um sorriso contínuo para o teu Jesus.
Fiquei com tantas saudades da Mãezinha e tantas saudades do Céu e tão grande horror e aborrecimento do mundo!
― Quem poderá aqui viver, meu Jesus, só com a Vossa graça, a Vossa vítima. Tende sempre diante de Vós o meu pobre coração agradecido.
*****
(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 16 de Maio de 1947 - Sexta-feira)

Sem comentários: