4 de abril de 2017

NÃO HÁ UM SOPRO DE VIDA PARA ESTA VIDA

Para mim só a morte existe



Na cruz, sempre na cruz tem sido o meu viver. A cabeça sempre coroada de espinhos, com o sangue das feridas a correr-me pelas faces, deixava-me quase como cega e sufocada, sem poder respirar. O sangue da cabeça banhava-me o corpo e o do coração parecia-me chegar à terra. Ai, quanta dor, tristeza e amargura eu senti no coração e na alma. Custam mais, muito mais estas do que as do corpo. Este sentia o tormento da doença e muitas vezes o apertar dos cravos, o avivar das chagas e feridas. Mas este sofrimento fica muito aquém da dor do coração e agonias da alma. Só a sabedoria do Senhor compreende e pode fazer compreender o que é este martírio. Para o coração, a dor foi infinita e insuportável para as minhas forças. Mas Jesus venceu sempre em mim, embora à custa do meu esforço e luta constante. Não foi a lança, os espinhos e as setas que mais custaram ao meu coração. Foi essa dor que eu chamo infinita, que atinge a terra e o Céu. É como um sopro de ar que penetra todo o ser, atinge tudo, nada há que ela não trespasse. A minha alma tem chorado constantemente; chorou rios, mares infinitos de lágrimas. Ó meu Deus, que ansiedade também infinita eu tenho de fazer compreender a grandiosidade desta dor, os motivos e causas destas lágrimas. Ó Céu, ó Céu, falai vós por mim; a minha ignorância não me deixa. Eu sou um corpo morto sepultado na humanidade morta. Morri na podridão, nas trevas negras da morte e nesta podridão fui sepultada. Fui veneno, sou veneno e veneno continuarei a ser. A minha dor vive, o seu martírio existe, mas só para eu sofrer, mas nada a mim pertence. Rompe a dor por entre esta morte e não sei para onde caminha. Para mim só a morte existe. Sou sempre morte e sempre dou a morte. E todo o bem que eu faço o enveneno e mato e dou chorado ao Senhor. Não digo nada, não me faço compreender porque não sei, meu Jesus. Não tenho forças para sofrer, sinto que as não tenho, mas confio e espero em Jesus e na Mãezinha querida. Meu Deus, não me deixeis morrer esta luz apagada da minha confiança. O fogo do coração continua a ser para mim penoso e doloroso martírio. Ele queima-me, mas é um queimar sem conforto. Mas faz-me ter umas ânsias tão grandes, tão infinitas de amar a Jesus, a Sua lei e tudo o que é d`Ele: de amar a Mãezinha e toda a Santíssima Trindade. Quero só pertencer-Lhe inteiramente, consumir-me desaparecer nesta Divindade! E não tenho nada para Lhe dar, não há um sopro de vida para esta vida. (Sentimentos da alma: 23 de Março de 1951)

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