sábado, junho 05, 2021

DIZ AO TEU PAIZINHO, DIZ AO TEU MÉDICO

Serão para eles as primeiras bênçãos


— Diz ao teu Paizinho que Jesus te escolheu; diz ao teu médico que Jesus te confiou, diz à tua irmãzinha que te acompanha nas tuas dores, diz a todos que te ajudam a subir o doloroso calvário, que serão para eles as primeiras bênçãos, as primeiras graças, tudo o que é do Céu. Diz ao teu Paizinho que já cá na terra tem um trono em meu divino Coração. Diz-lhe que Jesus e Maria o amam loucamente. Diz-lhe que já que nesta luta mais não pode, te acompanhe sempre, sempre com orações, sempre, sempre com aquela união de almas com que Eu vos uni. Diz ao teu médico que seja forte com a força do meu divino Coração. Que te acompanhe sempre, sempre, que te ajude a levar a cruz. Que conte sempre com as graças e bênçãos do Senhor para ele e todos os seus; todos eles terão a perseverança final. Acaricia-te Jesus, acaricia-te a Mãezinha: são ternuras, doçuras, amor do Céu.

Toma conforto, ó minha filhinha, esposa do meu Jesus, salvação de todos os filhos meus. Oh! como és amada de toda a corte celeste!

Estas últimas palavras foram da Mãezinha. (Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma; 5 de Junho de 1943).

Na imagem:
A beata Alexandrina, o Pe. Mariano Pinho e o Dr. Augusto de Azevedo

FAÇAMOS PRAZER A JESUS

Oração e devoção ensinada por Jesus


Diz às almas que Me amam que vivam unidas a Mim durante o seu trabalho. Nas suas casas, seja de dia seja de noite, ajoelhem-se muitas vezes em espírito e de cabeça inclinada digam:

“Jesus, eu Vos adoro em todo o lugar onde habitais sacramentado;
Faço-Vos companhia pelos que Vos desprezam,
Amo-vos pelos que não Vos amam;
Desagravo-Vos pelos que Vos ofendem.
Jesus, vinde ao meu coração!”

Estes momentos serão para Mim de grande alegria e consolação.

Que crimes se cometem contra Mim na Eucaristia! (Sentimentos da alma: 2 de Outubro de 1948).

A ALMA FIEL NÃO TEME A CRUZ

Ó Jesus conto com toda a graça, força e amor do Céu


— A alma fiel não teme a cruz; toma-a, abraça-a, acaricia-a, leva-a só por amor! Os espinhos com que Jesus adorna na terra as suas crucificadas transformar-se-ão no Céu em pétalas das rosas mais belas e viçosas. Mais ainda: transformar-se-ão em pérolas, em pedras preciosas. Como é encantador para Jesus uma virgem que a Ele toda se dá e por Ele tudo sofre!

— Meu Jesus, eu dou-me a vós, eu sofro por vós, despedaçai de dor o meu coração; eu quero amar-vos, eu quero dar-vos as almas. Cobri de espinhos todo o meu pobre corpo, mas o que sou eu sem vós? Miséria, meu Jesus, só miséria.

— Tu és grande, tu és forte, minha amada. Serás grande para o mundo e grande aos olhos de Deus. Estás rica, estás rica, meu amor com os maiores dons e as maiores riquezas do Céu. Que belo é Deus, que belo é Jesus e belas faz as suas almas. Vais, minha louquinha, vais, minha heroína, dar a maior prova, a última prova de amor a Jesus e ás almas. Não temas, não temas, Jesus e Maria estão contigo, o divino Espírito Santo iluminar-te-á sempre. Tu és o cofre riquíssimo que Jesus tem na terra; tens muito que distribuir às almas.

— Ó Jesus conto com toda a graça, força e amor do Céu. (Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma; 5 de Junho de 1943)


sexta-feira, junho 04, 2021

SOL BRILHANTE, SOL ESPLENDOROSO

Será aquele que se vai reflectir no mundo


― Sol brilhante, sol esplendoroso será aquele que se vai reflectir no mundo. Os homens não querem deixar reflectir seu brilho. Ai deles, pobres daqueles que se opõem à frente dos caminhos do Senhor! Jesus todo se consola e alegra nas almas suas amadas. Jesus todo se delicia no arminho das almas puras. Os raios do amor divino formam sobre elas uma auréola brilhante e encantadora que atrai a si o mundo e os corações. Os que se dizem amigos de Jesus não conhecem as almas suas esposas. Jesus está descontentíssimo com a maior parte dos seus discípulos: não têm luz, não a procuram, não sabem, não procuram saber. Lançam-se como Satanás a deitarem por terra as obras do Senhor. Desviam de si as bênçãos divinas e toda a protecção da Virgem Maria. A Mãezinha celeste está preparada para vir buscar a sua filhinha para junto de si. O prémio é brilhantíssimo. A dor do Paizinho da louquinha de Jesus tem dado toda a glória e triunfo ao Céu. Pobres daqueles que assim o têm feito sofrer. Jesus nada deixa sem recompensa. Jesus dá toda a graça e amor ao médico da alma e ao médico do corpo da louquinha da Eucaristia. Jesus será todo e tudo para eles. (Alexandrina Maria da Costa: S. 4 de Julho de 1942)

A TUA VIDA É CHEIA DE PRODÍGIOS

Creio, Jesus, sou a tua vítima


— Vem, minha filha, trabalha, trabalha. Repara a justiça de meu Pai. Sofre, sofre. Acode ao mundo que não quer escutar a minha voz. Tu és o lírio e açucena perfumada. Com tal perfume atrais as almas a Mim. A tua vida é toda a minha vida. Oh, como Eu quero que ela se leia e compreenda! É cheia de prodígios divinos. Ela tem ensinamentos do presépio ao calvário. Antes de Eu vir à terra e depois de Eu vir à terra. A minha vida em ti não é para ti. A luz que em ti brilha não é para te luminar a ti, mas a toda a humanidade.

Recebe a gota do meu Divino Sangue. Só vives desta vida. É só Jesus que te faz viver. Fica na cruz, fica na cruz. Sofre, sofre o teu indizível sofrimento.

Fiquei logo na minha costumada agonia a fazer os meus pedidos ao Senhor sem sentir que Ele tinha vindo até mim e a parecer-me que nunca O veria.

— Creio, Jesus, sou a tua vítima. (Alexandrina Maria da Costa: S. 4 de Junho de 1954)

EU SOU O TEU JESUS

Vem para mim, tem coragem!


Assim caminhei hoje para o cimo da montanha, abrindo-se a terra em fendas. Aqui me engolia, acolá me dava para voltar a ser engolida.

Creio, meu Deus, creio. À minha agonia e morte veio Jesus buscar-me. Chamou por mim.

— Vem, minha filha, dá-Me a tua mão.

Abrindo um curral, mas este curral era Jesus, sempre levando-me pela mão, fez que eu entrasse e disse-me:

— Vem para mim, tem coragem! Eu sou o teu Jesus.

Eu, sempre sustentada pelas mãos do Senhor, à entrada do curral, que me parecia ser Ele. Principiaram a entrar ovelhas nutridas, umas atrás das outras; todas tinham um lugar e nunca mais deixavam de entrar.

— Vês, minha filha, estas ovelhinhas são as almas que os teus sofrimentos a Mim conduzem.

Não sei dizer como fiquei, fora de mim. Se assim é, Jesus, como creio, eu quero ficar na terra e nela sofrer até ao fim do mundo.

— Não, minha filha, o teu Céu está perto, mas lá a tua missão continua e as almas, essas ovelhinhas nutridas, continuam a salvar-se como se sofresses. Estende-me as tuas mãos.

Estendi-as. Jesus colocou-me nelas um vaso. Este vaso estava cheio duma semente que não conheci. Para cima do vaso sobressaía como que uma pinha. De cada biquinho da pinha saía uma chama e todas reunidas faziam uma só chama.

— Semeia, minha filha, na terra esta semente. É a minha semente. Enriquece com ela as almas. Incendeia nos corações este amor. É o meu amor. Sofre, sofre, acode ao mundo.

Desapareceu Jesus, desapareceu o vaso. Fiquei sozinha entre as trevas.

— Creio, Jesus, creio e que o meu “creio” seja eterno, em acção de graças por sempre em Vós confiar e confiada de nunca deixar de crer.

À minha frente estava uma montanha. Não tentei subi-la. Chegava ao Céu. Não podia passar além. Sozinha, cheia de pavor, bradava:

— Jesus, onde estais? Vinde em meu socorro.

Ele saiu-me por entre a rocha a trabalhar; martelava, cinzelava. Era um bom artista. Pegou-me pela mão. (Alexandrina Maria da Costa: S. 4 de Junho de 1954)

EM VÓS CONFIO

Minha é a miséria e inutilidade


Vivo a eternidade que não principiei e que nunca acabarei. Eternidade, eternidade, como tu me fazes sofrer! Tu não principiaste nem acabarás para mim. Eu vivo-te, odeio-te e contra ti me revolto e contra Deus. Ó eternidade, ó vida que me fizeste perder o meu Deus, o meu Jesus, a minha querida Mãezinha! Não posso consentir em tal perda. Não posso sentir nem recordar que foi por toda a eternidade que perdi estes tão queridos Amores! Que saudades dos primeiros sábados, do meu colóquio com a Mãezinha! E tudo o mais, meu Deus, tudo o mais! Que tormento para a minha alma! Quero afirmar-me, quero agarrar-me ao Céu e não tenho nada a que possa segurar-me. Que abandono, que tormento! Perder todas as coisas divinas depois de ter perdido as humanas. Perder todo o conforto e apoio do Céu, depois de ter perdido todo o conforto e auxílio da terra. Lá vou indo na minha cavação tão profunda, tão profunda que apavora. São tão raras, tão raras as cavadelas. Parece-me que levam mais de um século a dar cada uma, mas cansam-me tanto, tanto a alma. Ela está sempre banhada em suores. Só o sustentar nas mãos tal instrumento fatiga-me o corpo e a alma, leva-me a maior abatimento. O corpo desfeito pela dor ressente-se com o sofrimento da alma. É para ele maior tormento. Vejo o túmulo, aquele túmulo que me escondeu, aquele túmulo que a morte exigiu e as trevas e a mesma morte continuam a exigir. À volta dele é um prado e jardim florido. Por dentro morte e trevas. Por fora verduras, lírios, açucenas que verdejam, vida que vive e faz sobreviver sempre. Nada disto é meu. Minha é a miséria e inutilidade. A inutilidade rouba-me os meus sofrimentos, os meus sacrifícios, as minhas ânsias de me dar ao Senhor e às almas. Como o livro do meu coração quer falar, expandir-se!... Como são infinitas as minhas ânsias de amar a Jesus e de O fazer amar e de Lhe entregar a humanidade inteira! A inutilidade tudo abafa e até este livro me rouba. O meu calvário, o meu horto tão cheio de agonia é por mim espezinhado e esquecido. Nada disto vivo, porque parece que nada disto foi para mim.

Ó meu Deus, ó meu Deus, em Vós confio. Creio, Jesus, creio. Valei-me com a Mãezinha. (Alexandrina Maria da Costa: S. 4 de Junho de 1954)

QUE SAUDADES DO CÉU!

Não posso viver aqui, meu Jesus!


— Não temas, minha filha, o teu Jesus. Quem o possui e ama deveras não o pode temer. Jesus quisera que todos falassem nas bondades do seu divino Coração com toda a simplicidade e amor. Jesus quisera que todos falassem nas bondades do seu divino Coração, da sua ternura, da sua compaixão, do seu perdão. Jesus é louco por todos os filhos seus. Jesus ama-os apaixonadamente e a todos quer dar os tesouros inesgotáveis do seu amável Coração. Jesus a todos quer ver à volta do seu Sacrário a amá-lo e a recebê-lo com aquele amor e carinho como as andorinhas com os seus filhinhos. Que timoratos são os que temem deveras a Jesus e todos aqueles que desconfiam das suas bondades e misericórdia! O amor e a confiança é tudo para a alma que deveras ama e pertence a Jesus!

― Ó Jesus, eu confio plenamente em Vós. Vós ides atender aos meus pedidos, ides, Senhor? E depois ides logo levar-me para o Céu, sim, meu Jesus? Que desejos e saudades eu tenho dele! Não posso viver aqui, meu Jesus! Este exílio é aterrador! (Alexandrina Maria da Costa: S. 4 de Junho de 1942)

quinta-feira, junho 03, 2021

JESUS ABRIU O SEU CORAÇÃO

Vai dar ao mundo tudo o que de Nós recebes


— Diz ao teu médico que todo o céu se alegra ao ver a sua atitude e defesa pela minha divina causa. Abro o meu divino coração para derramar o meu divino amor e a abundância das minhas graças sobre ele e todos os seus. Derramo-as sobre o seu coração de esposo, de pai e filho também. São para ele e para os que lhe são caros. Recebem-nas por ti. Diz-lhe que é unido a mim que operaremos milagres para conservar-te a vida até que se dissipem as nuvens para aparecer o sol, e brilharem as minhas graças e maravilhas. Vem, minha Mãe, confortar a nossa filhinha. Dá-lhe a tua graça, pureza e amor.

Veio a Mãezinha, tomou-me em Seus braços, estreitou-me com Jesus. Beijou-me, acariciou-me docemente.

— Minha filha – disse-me Ela – ama sempre o teu Jesus. Sofre tudo com alegria para O consolares. Vê-Lo amado sou amada também. Vê-Lo consolado é ser consolada eu também. O amor que dás a Jesus dás a mim.

— Vai, minha filha – disse Jesus – vai dar ao mundo tudo o que de Nós recebes. Dá primeiro aos que te são queridos como prova do teu coração agradecido. Dá, pomba bela, são riquezas do céu.

Jesus e a Mãezinha deixaram-me com mais força para sofrer. Confio que com Ele tudo vencerei, e que o mundo e o demónio nada poderão contra mim. (Alexandrina Maria da Costa: S. 2 de Junho de 1945)

ÉS GRANDE POR SERES PEQUENINA

Esperai mais um pouco, se não ficais triste, meu Amor


— És grande por seres pequenina; serás exaltada por seres humilhada. O teu poder sobre as almas, a tua missão sublime continuará no céu sempre, sempre. Diz-me, minha filha, quando me dás a lista das almas que não queres que vão ao Purgatório?

— Não quero fazê-lo, Jesus, sem me consultar. Esperai mais um pouco, se não ficais triste, meu Amor. Escrevo-os desde já no meu coração para Vós lerdes, meu Jesus, até que doutra forma o possa fazer. Concordais assim sem Vos desgostardes?

— A tua humildade e obediência são para mim motivo da maior consolação e amor. Alegro-me com isso, mas não te dispenso, quero que a faças, e por tua mão, e relembres também aquelas que já te prometi levar para o céu sem Purgatório. Coloca-a depois junto da imagem do meu divino coração para lá estar sempre até que todas essas almas partam para a sua Pátria. Faço isto para provar-te o meu amor, todo o amor e loucura por ti.

— Obrigada, meu Jesus, no tempo e na eternidade.

— Diz, minha filha, ao teu paizinho o que vou dizer-te.

— Como, meu Jesus? Dizeis-me tanta coisa para ele, eu não posso falar-lhe, não me deixam.

Jesus sorriu com o Seu doce sorriso.

— Sossega, sossega, minha filha, lá chegará. Faço isto para lhe mandar sempre o meu amor para ele dar às almas e para provar-lhe que ele está na verdade e que foi vítima escolhida por mim para o unir a ti. Quero-o purificado. Quero dois espelhos cristalinos para enfrentarem um com o outro. (Alexandrina Maria da Costa: S. 2 de Junho de 1945)

QUANTA MAIS DOR MAIS UNIÃO COM JESUS

A minha alma sofria, agonizava


Quanto pior melhor, passei mal a noite. O sofrimento consumiu o meu corpo, mas para mim era motivo de contentamento. Quanta mais dor mais união com Jesus. Mas oh! que temor eu tinha de me aproximar d’Ele! Que medo desta união, de viver na Sua divina presença. A minha alma sofria, agonizava. Eu redobrava de esforços para me unir a Ele. Veio a hora de me preparar para O receber. Preparei-me sempre tímida, mas com ânsias vivas de O consolar e não me separar d’Ele. O temor acompanhou-me até ao momento de comungar. Comunguei, mudou o cenário; o temor desapareceu. Sentia em mim a Sua divina presença e o Seu amor. Falou-me:

— Minha filha, pomba, pomba, pomba branca, fiel e pura. Vem a mim, aproxima-te, não temas, não tens por que temer, o teu temor não é teu. Oferece-mo, é reparação que te peço. Escolhi-te para vítima, és a maior vítima da dor, do sacrifício e do amor. Oferece-me o teu temor pelas almas que se aproximam de mim para me receberem em estado miserável, horroroso, e nada temem. Recebem-me em suas línguas malditas, línguas de fogo. Filha querida, esposa amada, deixa-me ter contigo este desabafo. Oferece-me ainda o teu temor pelos sacerdotes. Olha o meu divino coração por eles tão ferido. Tomam-me em suas mãos impuras, recebem-me em seus corações podres e sem nada temerem. Cegaram-nos os vícios, calejaram-nos as paixões. Não mostro logo o poder da minha justiça divina para não os punir eternamente. Entro em todas essas almas para logo sair esforçado por Satanás, que é rei e senhor dos seus corações. Antes queria ser dado aos cães ou às feras, por quantas eu seria mais agradecido e louvado. Já vês, amada minha, não é teu esse temor. Já vês, lírio dos prados, açucena pura, que não são tuas as horrorosas misérias de que te vês sobrecarregada. És a nova redentora, fui eu que te escolhi e eu redentor também por elas fui sobrecarregado, por tudo respondi ao meu Eterno Pai. Agora tens de responder tu, a ti te confiei a humanidade; espalha sobre ela o aroma angélico das tuas virtudes. Tenho sede de amor, quero habitar em teu coração, aqui sou amado, não sou ferido. Oh! como estou bem!

— Estais, meu Jesus, à sombra do que é Vosso. Sois amado com o amor que Vos pertence. De mim nada tenho, de tudo me sinto despida. (Alexandrina Maria da Costa: S. 2 de Junho de 1945)

quarta-feira, junho 02, 2021

UMA DAS TRÊS FASES DA VIDA DA ALAXANDRINA

Dor amorosa


Por volta do fim do ano de 1935, conclui-se a primeira fase da vida interior da Alexandrina, fase que tivera início — podemos afirmá-lo sem receio de errar — com o uso da razão. Sob o aspecto histórico, nenhuma qualificação mais adequada a este longo período do que a de vida purgativa.

À Deolinda dizia por vezes a Serva de Deus: — Eu não sei recordar o que é viver sem dor. — E a irmã explica o que ela queria dizer: — Há tantos anos que sofro, que já não me posso lembrar de ter tido um dia sem sofrimento.

Recordando a data de 20 de Novembro de 1933, dia em que, pela primeira vez, se celebrou a Santa Missa no seu quartinho, a Alexandrina acrescenta: «Principiou Nosso Senhor a aumentar-me os Seus miminhos, para também aumentar o peso da minha cruz» (Autobiografia).

Numa carta dirigida ao Padre Mariano Pinho (10-X-1935), a Deolinda escrevia : «Aprouve a Nosso Senhor dar a cruz completa à Alexandrina porque, além dos sofrimentos físicos e do abandono em que Nosso Senhor a tem tido e continua a ter, também temos sofrido grandes aflições devido à situação (financeira) em que temos vivido e que contávamos melhorar, mas que grandes dificuldades apareceram de novo. E a pobre Alexandrina, ao ver as nossas lágrimas e ao ouvir os nossos desânimos, fazia por nos consolar e dizia:

— Eu sei que Nosso Senhor ainda queria que eu passasse por mais estas coisas.

E murmurava:

— Õ meu Jesus, eu quero que o meu coração seja esmagado e angustiado, que vá à prensa das Vossas divinas mãos até esgotar-Vos todo o amor, assim como o cachinho vai à prensa para ser espremido, e como a azeitona para dar todo o azeite».

A Alexandrina, porém, voluntàriamente reconhecia as graças extraordinárias e as inefáveis delícias com que — não obstante tudo o mais — tinha sido favorecida. Com efeito, na sua Autobiografia, ela conta que, logo pela manhã, apresentava as suas ofertas a Nosso Senhor, dizendo, entre outras coisas: «Jesus, imolai-me convosco a cada momento no altar do sacrifício ; oferecei-me convosco ao Eterno Pai pelas mesmas intenções por que Vós mesmo Vos ofereceis».

E acrescenta: «Nestas ocasiões, em que fazia estes oferecimentos a Nosso Senhor, sentia-me subir sem saber como e, ao mesmo tempo, um calor abrasador que parecia queimar-me».

É uma dor autêntica a sua, mas uma dor amorosa, porque mitigada por consolações sobre-humanas.(Pe. Humberto Pasquale: Eis a Alexandrina; cap. II)

Na imagem:
A beata Alexandrina e o Padre Humberto Pasquale, sdb.

NO MISTÉRIO DA REDENÇÃO

Jesus quer ter necessidade de cada um de nós

Jesus quer ter necessidade de cada um de nós no mistério da redenção e nos convida, para que juntos reparemos os crimes do mundo e obtenhamos a misericórdia divina. É pungente esta queixa de Jesus – que é ao mesmo tempo um convite à conversão:

— Minha filha, chora comigo nas mesmas lágrimas. Sente igualmente a dor do meu Divino Coração. O mundo, o mundo, os pecadores, são a causa de tudo isto. Não foste tu a beber o veneno. És a vítima daqueles que o bebem. Não foste tu a prender o coração e a língua com cadeias, mas sim o demónio, para que não mais possa ter remédio. (S. 18-06-1954)

Esperemos que as nossas orações obtenham conversões duráveis e sinceras e que Jesus possa dizer à cada um de nós, como o disse à Alexandrina:

— Como é bela esta cena! Jesus vai ao fundo do mar buscar a vítima das almas. A vítima das almas penetra em todo este abismo para as conduzir e introduzir no Coração do seu Esposo, Jesus. Calvário ditoso, viveiro das almas! Se tu visses como elas vêm a Mim, canseirosas como as formiguinhas para o celeiro! (S. 21-05-1954)

Porque, diz ainda Jesus:

— Minha filha, quero todos os corações e todas as almas, reunidas numa só mão, numa só massa, numa só vida, num só amor, que é o amor de Jesus e tudo introduzir e fechar no Seu Divino Coração.

Esta ansiedade dava-me a morte, se Jesus não me conservasse a vida – confessa a Alexandrina. (S. 20-08-1954)

E, para que Jesus possa também fazer a cado um de nós o que fez à querida Alexandrina, sejamos diligentes nas “coisas” de Deus:

Jesus meteu dentro do meu peito o Seu divino Coração. Era como um vaso dos mais ricos e belos que se podem imaginar. Todo ele era ouro, todo ele eram chamas. (S. 27-08-1954)

Santo mês de Junho para todas e todos, amigos e devotos da Alexandrina Maria da Costa que a Santa Igreja beatificou em 25 de Abril de 2004. (AR. Junho com a beata Alexandrina: Introdução)

MÊS DE JUNHO

Alexandrina e o Coração de Jesus


Quantas e quantas vezes, no decorrer dos anos, Jesus lhe apresentou o seu divino Coração como abrigo, como refúgio contra os males do mundo…

— Minha filha, ó minha filha, vem cá. Dá-me as tuas mãos. Vem para a barquinha do Meu Coração Divino. Por Mim és salva como foram os meus apóstolos. Este mar é o mar das paixões, esta fúria tempestuosa é a fúria louca dos vícios. (S. 30-04-1954)

E ainda:

— Vem, minha filha, vem viver de Mim, fortalecer-te de Mim. Este mar é o mar dos vícios, é o mar das paixões. Não te manchaste nelas. Fui buscar-te ao fundo para te dar conforto e levantar-te de tal desfalecimento. Tu vais a este mar de vícios sem conta e de toda a espécie buscar as almas e trazê-las ao meu Divino Coração. (S. 21-05-1954)

Mas, a Alexandrina tinha sempre presente a sua missão: salvar as almas e, a sua resposta ao Senhor é clara e demonstra a sua coragem no desempenho da mesma missão:

— Vós não Vos cansais, Jesus. Perdoai a todos. Lembro-Vos as minhas intenções. (S. 26-03-1954)

Provavelmente, por isso mesmo, para a “premiar” pela coragem que demonstra, Jesus também lhe mostra o seu amor, o seu carinho, como aqui:

— Aceita, no dia do meu Divino Coração, dou-te, renovo-te a oferta do meu Divino Coração. Tudo quanto ele tem é teu: riquezas, amor, misericórdia e perdão. Por ti tudo será dado às almas. És o segundo canal por onde passa para o mundo tudo o que é meu. (S. 25-06-1954)

Jesus ama a Alexandrina – a maior alma vítima, como Ele mesmo o disse – e porque a ama muito, exprime-se como o esposo do Cântico dos Cânticos:

— Minha filha, as minhas delícias eram estar no teu coração, fazer-te gozar e viver na mesma alegria comigo. As almas, as almas, o mundo assim o exigem. Oh! Se eu tivesse mais almas vítimas que se dessem por Mim e por elas como a vítima deste calvário!... Quero vítimas, quero vítimas! (S. 06-08-1954)

Durante este mês de Junho, vamos portanto meditar sobre os textos – muito numerosos! – em que se fala do Coração de Jesus.

terça-feira, junho 01, 2021

SÓ VOS FOSTES A MINHA FORÇA

A grandeza é Vossa, a miséria é minha


O mês de Junho é o mês do Sagrado Coração de Jesus!

Neste mês, mais do que em qualquer outro do ano, as almas e os corações dos fiéis sentem uma maior atracção por esta Fonte de amor que é o Coração do nosso Deus, na pessoa de Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor.

É também neste mês de Junho que mais nos tornamos para a devoção mais do que milenária a este Coração que tanto ama os homens e que deles recebe tantos ultrajes e tantas blasfémias, justamente para reparar esses pecados de lesa-majestade, dos quais Jesus se queixou à sua serva, Santa Margarida Maria de Alacoque e, mais perto de nós à Beata Maria do Divino Coração e mais particularmente ainda à nossa tão querida Alexandrina Maria da Costa.

E foi justamente a esta que Jesus disse um dia, como para nos tranquilizar:

— Coragem a todos, o que é de Deus não morre; é certo o triunfo. Vou dar-te o sangue do meu divino Coração, a minha vida divina da qual só vives e dás às almas. (S. 06-01-1945)

Alexandrina estava sempre muito atenta à mais pequena munição do Senhor e tudo fazia para o consolar, para em tudo fazer a sua divina vontade. Um dia – em Janeiro de 1953 – Jesus agradeceu-lhe este zelo, o que a surpreendeu e a levou a exclamar humildemente:

– Ó Jesus, não tendes que agradecer a esta miserável filhinha. Sofri muito. Não fui eu, Jesus, fostes Vós no meu corpo. Só Vós fostes a minha força. Dei-Vos muito, meu Amor? Não Vos dei nada do que era meu: dei-Vos o que era Vosso. Sou eu, Jesus, sou eu a agradecer. O meu eterno “obrigada”, Jesus. (S. 02-01-1953)

Mas Jesus já antes, a 30 de Março de 1945, dia do aniversário da Alexandrina, lhe tinha agradecido e até mesmo apresentado as suas congratulações pelo dito aniversário. A resposta da Alexandrina, também foi cheia de humildade e de filial submissão à divina Vontade:

– Falai, falai, meu Jesus, são para Vós as felicitações, as saudações e os louvores. O que faço eu sem Vós, meu Jesus? O que sou eu sem Vós? Podeis dizer, podeis falar, a grandeza é Vossa, a miséria é minha. (S. 30-03-1945)

segunda-feira, maio 31, 2021

JESUS RECEBE A BOFETADA

Em nada se assemelha a dor do rosto à dor do coração


Fiquei mais confortada, pude melhor resistir à agonia do horto, ao cálice da amargura. Na solidão temi a noite, temi tudo. Tive de subir uma grande encosta. Subi tão cansada e senti em meu corpo tantos pontapés. Recebi depois a enorme bofetada. Em nada se assemelha a dor do rosto à dor do coração. Ficou tão ferido Jesus que, se não fosse um milagre, perdia a vida. Que amor o d’Ele ao recebê-la!

— Ai, meu Deus, se eu pudesse mostrar a dor que Vos causaram e a doçura do Vosso amor, a bondade com que Vos deixastes ferir, a Vossa compaixão sobre quem Vos feriu! Ó amor, ó amor sem igual! (Alexandrina Maria da Costa: S. 31 de Maio de 1945).

VENHO BUSCAR REPARAÇÃO

Venho ao meu jardim


O MUNDO NÃO ESCUTA A VOZ DE JESUS

Estou cansada, quero unir o mundo a este fogo


Possuo em mim o que não é meu; sinto, conheço que é do céu. Estou cansada, quero unir o mundo a este fogo, a esta vida do céu, e não posso. Sinto as cadeias do amor de Jesus a prendê-lo e sinto as do demónio a arrastá-lo para a perdição eterna. O mundo não escuta a voz de Jesus, não repara nos Seus olhares, não aceita as Suas ternuras e meiguices, não se deixa prender por Ele. Que martírio que tanto esgota o meu coração! Não sei o que pressinto, não sei o que me espera. Vêm com severidade junto da minha alma, dão-me fortes abalos, fazem-me estremecer o meu corpo. Mas permaneço firme, nada há que me deite a terra. Nada há que me arranque da minha cruz e dos braços de Jesus. Se uma vez ou outra me parece perder-me, Ele vem auxiliar-me. Veio hoje, era já noite, dissipou por um pouco as minas trevas, desviou para longe as minhas dores. (Alexandrina Maria da Costa: S. 31 de Maio de 1945).

O INCÊNDIO DAS PAIXÕES

Os meus lábios chamam essas almas


OU SOFRER OU O CÉU

Que valor pode ter a vida, se não sofro


Termina o mês da Mãezinha. Que saudade eu tenho de ele findar! Será de verdade o meu último Maio na terra? Que pena eu tenho de não A ter amado muito assim como a Jesus! Tudo foge, tudo passa, tudo se esconde, só a minha miséria aparece para a ver claramente nos mundos das minhas trevas. Abro os meus braços ao céu, quero abraçar o meu martírio e, junto a ele, Jesus e a Mãezinha. Tenho sede, e nada há que me satisfaça, nem ao menos o sofrimento. Temo-o, mas quero-o para dar a vida às almas, para consolação do meu Jesus. Ou sofrer ou o céu. Que valor pode ter a vida, se não sofro, se não amo? (Alexandrina Maria da Costa: S. 31 de Maio de 1945).

Na imagem:
A beata Alexandrina e o Padre Mariano Pinho.