19 de setembro de 2011

MOMENTO DA PAIXÃO

Os apóstolos adormeceram…

Ontem à tardinha, o meu coração revestiu-se doutro coração; este coração era mundial; estava nojento, negro de podridão; com ele ficou o meu escondido. O coração mundial cravava para dentro do seu muitas setas, muitas lanças. Principiou a minha agonia, sem nada dar a conhecer. Fui para a ceia e da ceia para o Horto. A caminho dele seguiam-me os Apóstolos, cansados pelas grandes maravilhas e coisas que tinham visto e ouvido de Jesus. A viagem foi silenciosa, mas, naquele silêncio, quantas coisas lhes dizia Jesus; como os amava e lhes falava naquele silêncio aquele divino Coração tão oprimido pela dor e também pelo cansaço! Por entre a escuridão das oliveiras, Jesus apressou o passo, foi para a gruta orar. Os apóstolos adormeceram. Sentia a aflição, o suor de Jesus, o palpitar do Seu divino Coração, espremido não sei por quem até dar sangue, que encheu até transbordar o cálice, que em Suas divinas mãos estava. Jesus ia a desfalecer; veio um Anjo amparar-Lhe o braço, que sustentava o cálice. Sentia a grande conformidade e aceitação de Jesus com a vontade do Seu Eterno Pai, e, nesse momento, os Seus divinos olhos estavam fitos no Céu; sentia-os na minha alma como dois sois ao raiar. A justiça divina caía, não sobre o coração podre, mundial, mas sim sobre o que por dentro estava, tão ferido pelo de fora. Fui cheia de maus-tratos para a prisão. Hoje, senti-me sempre com a cruz em todo o caminho do Calvário. Que escuridão; que desfalecimento; como eu ía oprimida pela cruz! Como o meu rosto foi ferido e o corpo pelas lajes arrastado; só perto da montanha me foi tirada a cruz, mas eu sentia-me como se sempre levasse o seu peso. Fui crucificada e levantada ao alto; nova chuva de sangue saiu das feridas dos espinhos, novamente profundas e alargadas. Não era a minha cabeça, era a cabeça sacrossanta de Jesus que eu sentia em mim. Esta dor veio tirar mais a vida do meu coração, já quase moribundo; para melhor me fazer compreender foi o coração divino de Jesus e não o meu. Sentia Jesus beber todo o sofrimento do Calvário tão sofregamente, que não levantou dele Seus divinos lábios; era a fonte de remissão e de salvação; queria bebê-la até ao fim. Que loucura de amor Jesus tem por nós! Com Ele enlouqueci, agonizei e expirei. Ele veio depressa; desceu como que numa nuvem que logo nela me absorveu. Jesus vinha resplandecente de glória, tudo eram raios de luz os quais logo penetraram todo o meu corpo.

― Minha filha, anjo de pureza, venho a ti, cheio de amor. Que grande reparação e consolação tenho tirado do teu sofrimento! Que beleza a tua alma; como ela se tem purificado! Com o teu esforço e desejo de emenda dos teus defeitos, como te tens tornado digna de Mim. Feliz a alma, ditosa a alma, que se deixa guiar, moldar e trabalhar pelo Artista divino. Como está rica! Eu trabalho e tu cooperas com o Meu trabalho. Escuta o que Eu te digo, Minha querida, esposa fiel, mensageira de Jesus. Venho hoje, na última sexta-feira do mês do Meu divino amor, dar-to com toda abundância. Ó maravilha, dou-to e faço o milagre de aguentares com ele.
(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 27 de Junho de 1947 - Sexta-feira)

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