28 de setembro de 2011

QUERO-TE CRUCIFICADA, ACEITAS ?

― É pelas almas que tudo isto te peço.

Com o coração lanceado, oprimido pela dor e a alma a derramar copiosas lágrimas, foi que eu hoje recebi o meu Jesus. Esperava-O com ansiedade, porque é só Ele a minha força. Baixou ao meu pobre coração; fiquei unida a Ele, a gozar Dele, mas sem O ouvir falar; não teve pressa em fazer-se ouvir. Falou-me, alguns minutos da Sua entrada em mim.
― Minha filha, sacrário onde habito, palácio onde tenho reinado, e no qual prometo reinar sempre, até ao último momento da tua existência na terra. Aqui estou, para confortar-te na tua dor e pedir-te mais, ainda mais. Era do Meu divino desejo ter-te na cruz, sempre na cruz, e sentires sempre, noite e dia, as Minhas divinas Chagas nas tuas mãos, nos pés, no coração, e em tua cabeça sentires as feridas dos meus espinhos e sobre o teu rosto caírem as gotas de Sangue que brotam deles. Quero que sintas todo o teu corpo ferido e despedaçado; quero-te assim constantemente ferida e crucificada; aceitas?
― Já sabeis que sim, meu Jesus; que só quero o que Vós quiserdes, isto é, a Vossa divina vontade, mas por minhas forças não posso; dai-me as Vossas e a Vossa graça, e, depois, fazei deste trapo do meu corpo o que Vos aprouver. O que eu quero é amar-Vos; e as almas, meu Jesus, quero salvá-las.
Jesus calou-se, por algum tempo, deixou-me unida a Ele, mergulhada no Seu divino amor. Interrompeu o silêncio:
― É pelas almas que tudo isto te peço. Dá-Me dor, sempre dor, Minha filha, ó Minha grande heroína. Tu amas-Me sem saberes que Me amas; és Minha, sem sentires que és Minha. Quero-te sem luz, quero-te à semelhança da avezinha, que, sem poder voar, ainda se esforça batendo as suas asinhas para seguir seus pais, abandonar o seu ninho. Coragem! Confia; depressa chegará o dia, em que acabam as tuas ânsias, terás toda a luz e voarás para Mim.
― Meu Jesus, eu não me engano? Tenho tanto medo de mim.
― Como, Minha filha, poderei Eu consentir que se enganasse a Minha esposa mais querida e fiel? Coragem! Confia; não falto às Minhas divinas promessas; tudo se realizará. Diz ao teu paizinho que tenho um canal introduzido em seu coração, pelo qual Eu passo para o dele o Meu conforto, as Minhas graças e a abundância do Meu divino amor. E farei que o Divino Espírito Santo lhe dê toda a luz para o iluminar, em todos os caminhos, não errados, mas sim escolhidos por Mim, caminhos que só escolho para aqueles a quem desejo coroar no Céu com a auréola dos santos. Diz-lhe com firmeza; são palavras de Jesus. Diz ao teu médico que um orvalho fecundo, uma chuva torrencial d graça cai sobre ele e sobre todos os que ao seu coração estão presos com laços de puro amor. É chuva de bênçãos, é orvalho de graças, é a prova de quanto o amo. Se não amasse tanto o seu coração, não o punha à frente da mais alta missão, que tenho na terra. Se o não amasse tanto, não o tinha a cuidar das Minhas coisas e da esposa e vítima, a quem mais quero e amo na terra. Vem, Minha Bendita Mãe, a confortar a Nossa filhinha; vem depressa para depressa te retirares.
Veio logo a Mãezinha, tomou-me no seu regaço, estreitou-me ao Seu Santíssimo coração, beijou-me, acariciou-me e começou a bafejar-me as mãos, os pés, o coração, a cabeça e, depois, todo o corpo.
― É o bálsamo para as tuas chagas, para as tuas feridas, Minha filha. Eu virei de longe a longe, suavizar o teu sofrer. Atende ao pedido de Jesus; deixa-te viver chagada, sofre para O teu e meu Jesus não sofrer, chora para Ele não chorar; vai acudir às almas, vai salvá-las. Conta com o auxílio da tua Mãezinha. Leva a minha graça, carinho e amor aos que te rodeiam, aos que cuidam d ti. Se soubesses como a todos amo também!
Veio Jesus, e acrescentou:
― Une tudo o que é Meu ao que te deu Minha Bendita Mãe; leva aqueles a quem amas, mesmo sem sentires que os amas. Confia que não deixaste de os amar. Amá-los desta forma é o amor mais puro, é amares-Me a Mim, acima de tudo. Vai distribuir, vai semear, vai salvar o mundo. Dá-Me dor sempre mais dor, dá-Me dor sempre na cruz.
― Ó meu querido Jesus, á minha querida Mãezinha muito obrigada, sou a Vossa vítima. Dai-me a graça de Vos ser fiel, dai-me força e amor para tudo sofrer.
(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 5 de Julho de 1947 - Primeiro sábado)

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