16 de novembro de 2011

AS LÁGRIMAS DE JESUS

― Não choreis, meu Jesus

As lágrimas de Jesus cessaram logo, e continuou.
― Já estou contente, filha amada, mas tens tanta reparação a dar-me! Tens que dar tão grande lição ao mundo! Repara-Me, mas com alegria; fita na cruz os teus olhos, que eles vêm para Mim a poisarem em Meus braços como pombas brancas para descansarem. Fita em Mim os teus olhares e em Mim toma conforto; dá-Me grande reparação, o veneno corre. Os esposos não dão vidas; matam vidas. Oh! que crimes! A imodéstia alastra-se. As almas vítimas fogem, temem o sofrimento, temem a cruz. E tantas de quem Eu esperava tudo, pecam horrivelmente. Dás-Me por tudo isto o que te vou pedir? Dás-Me os combates com o demónio? É deles que Eu tiro para esta matéria a maior reparação.
Jesus dizia isto e chorava novamente.
― Não choreis, meu Jesus; que eu Vos dou tudo, bem o sabeis, pois já tenho licença para tudo Vos dar; dou-vo-los na confiança de que me não deixeis ofender-Vos. Mas não quero ver mais em Vossos divinos olhos as lágrimas. Dou-Vos, mas também Vos peço, sabeis bem o que é. Fazei-me o que Vos peço, mostrai o Vosso poder. Pela Vossa graça nunca Vos neguei nada, não me negueis também; não é por mim, é por vós, é por aqueles que tão profundamente colocaste em meu coração.
Jesus sorriu docemente com modos e gestos de quem quer dizer mais, muito mais, e disse-me:
― Pede-Me com confiança, nunca são em vão os teus pedidos. Os desígnios de Deus são imperscrutáveis; os Meus olhos divinos vêem tudo, tudo Me é presente. A criatura humana só pode ver e compreender à luz da eternidade. Coragem, coragem, Eu vou dar-te o Meu divino Sangue; recebe-o que é força, recebe-o que é vida. A dor que te espera, só a força divina a pode vencer; nada temas, Eu estou contigo.
Jesus introduziu o tubozinho brilhante como oiro, e no cimo trazia o Seu divino Coração. Caiu a gotinha de sangue, Jesus tirou-o rapidamente, fez que eu pudesse aguentar, e logo deixou a abertura cicatrizada.
― Minha filha, pomba querida, vai, não deixes de, na dor, teres o sorriso; não deixes de beijar e abraçar a cruz; ela espera-te, corre para ela, leva a vida, tu és a vida das almas, tenho-te no mundo para elas. Vai em paz, e leva a Minha paz, leva a Minha luz, és a luz, vai guiá-las, vai salvá-las. Fica nas trevas, vive nas trevas, são trevas da maior luz. Milagre, milagre, milagres, milagres por ti os opero nas almas, aos milhares, aos milhares. Vai contente, semeia as Minhas graças, semeia o Meu amor. Obrigada, obrigada, meu Jesus. Ai! Como eu temo os sofrimentos, as oh! como eu quero a cruz que me dais; recebo-a, recebo-a só por amor. Meu Deus, como são já tão grandes e assustadoras as trevas em que me encontro! Poderei vencê-las? Venha o Céu, venha o Céu todo por mim.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 24 de Outubro de 1947 - Sexta-feira)

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