25 de novembro de 2011

JESUS QUERIA ABRAÇAR O MUNDO

Sentia mesmo no meu rosto o Rosto de Jesus, bem gravado

Na terça-feira, dia 25, quando estávamos a fazer o mês das almas, sem nada pensar nem se tratar do Senhor dos Passos, eu vi-O, por três vezes, a caminhar, aparecendo aqui e além, desfiguradíssimo, coroado de espinhos, com um grande madeiro aos ombros. Não posso dizer o que senti; comoveu-me tanto em assim ver Jesus! Não soube falar-Lhe, quase nada Lhe disse. Pedi-Lhe para que não sofresse e passasse para mim todo o Seu sofrimento e a cruz.
Esta visão causou-me tal sentimento e foi tal a pena de não saber oferecer e falar a Jesus, que parece-me, ou melhor, sinto que se me abriu no coração uma ferida tão profunda que o vazou, dum lado ao outro. Esta ferida sangra sempre, desde esse dia, todos os dias, em algumas horas, não são horas certas; eu sinto sobre os meus ombros aquele pesado madeiro, que Jesus levava, e na cabeça a coroa de espinhos que cingia a Sua sacrossanta Cabeça. Quantas vezes me parece ter os cabelos ensopados em sangue e este mesmo sangue saído das feridas, a correr-me pelas faces.
Ontem de tarde, sentia mesmo no meu rosto o Rosto de Jesus, bem gravado. A princípio, depois de fitar o mundo, cobriu-se de suores; depois derramava copiosas lágrimas de sangue e este saía-Lhe também pelos ouvidos. Jesus queria abraçar o mundo, mas a maior parte dele não queria aceitar o Seu abraço. Passei pela sala espaçosa da ceia, pela sala do grande amor. Jesus dava do Seu divino Coração para cada um dos Seus discípulos o Seu divino amor, em raios luminosos, como sol aparecer no horizonte; todos os discípulos o receberam e deixara-se por ele iluminar, apenas Judas se fechou e recusou o Seu brilho e luz.
Passei para o Horto para todas as cenas dolorosas e comovedoras; nele vi todo o martírio que me esperava, ou que esperava a Jesus. Entre grandes e muitos espinhos, que se enleavam em meu coração, enchi o cálice da amargura. Fui presa e levada aos tribunais, e destes para a prisão.
Durante a noite, depois de grandes ameaças do demónio, combati com ele, por três vezes. Causa-me grande horror a forma como ele pinta e consegue as coisas. Parece-me que sou eu só a causa de tanto mal. De um combate ao outro, fiquei presa sempre ao demónio e sobre a boca do inferno. Ouvia uivos raivosos e grandes leões tentavam engolir-me. Dizia-me o maldito que por mim se ia povoar o mundo de demónios. O que eu sofri! Eu queria e não queria pecar. Chamei por Jesus; Ele veio em meu auxílio; dum demónio que eu era transformei-me em serenidade e paz.
― Aparta-te, maldito; não exijo mais da Minha vítima. Minha filha, Minha filha, não pecaste; deste-Me nestes combates, maior reparação do que com um ano de sofrimento, jejum e penitência. É um cordeirinho a imolar-se sem perder a vida, no fogo sem se queimar.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 28 de Novembro de 1947 - Sexta-feira)

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