19 de novembro de 2011

BUSCAR-ME É QUERER-ME

― Meu Jesus, quero e não posso, não sei viver, não sei sofrer, não sei reparar-Vos.

Vejo-me sempre coberta de misérias; causa-me confusão e horror. Em tudo vejo maldade, em tudo vejo pecado. Só ao fazer o meu exame de consciência, para purificar a alma pela santa absolvição, não encontro pecados. Vejo em todos os meus actos, em todas as minhas coisas, imperfeições, mas, não aquelas maldades e crimes de que estou sempre sobrecarregada. Causa-me profunda dor, encho-me de medo, não conheço os meus erros e grandes defeitos, não sei fazer o meu exame de consciência. Será assim? Ó meu Deus, tende piedade de mim.
Na minha grande dor esperei a vinda de Jesus à minha alma com grande ansiedade. Não fazia nada, e tudo queria fazer para bem O hospedar em mim. Ele veio, baixou ao meu coração e ficou silencioso, ficou como se não entrasse. A dor aguda continuava e toda a noite me envolvia. Eu não me importava de deixar de ouvir Jesus, o que eu não queria é que fosse por eu O ter desgostado, obrigando-O a Ele não viver. De repente, acendeu-se como que uma luz brilhante em minha alma, inundou-me a Sua paz divina e ouvi dizer-me:
― Minha filha, minha filha, buscar-Me é querer-Me, querer-Me é já possuir-Me. Ansiar amar-Me com sinceras ânsias é amar-Me louca e apaixonadamente. Confia que Me amas e Eu te amo. A tua alma é um jardim celeste entre o qual à sombra de mimosas flores Eu Me escondo para não ser atingido pelos pecadores; e deliciado pelo teu perfume aromático vou esquecendo a gravidade com que sou ofendido. Minha filha, flor angélica, dá-Me a tua dor, dá-Me o teu amor, repara-Me, repara-Me. Falo-te de amor, de dor e de almas, por ser esta a tua missão. Sem a dor, sem o amor elas não podem ser salvas. O mundo está em grave perigo, é necessário, é urgente almas vítimas, almas justas, mas elas fogem-Me, poucas são as que Me amam com amor verdadeiro, mas muitas menos as que aceitam a imolação do sacrifício. Os sacerdotes, os sacerdotes que mal Me fazem, que grande número tão gravemente Me ofendem. Repara-Me, minha filha, não só pelos combates do demónio, mas com muita penitência, muitos e muitos sacrifícios. Eu não quero que façam penitências graves, porque não podes, mas daquelas que com tão belas artes costumas inventar e fazer-Me. Repara-Me, minha filha, repara-Me, tem dó de Mim.
― Meu Jesus, quero e não posso, não sei viver, não sei sofrer, não sei reparar-Vos. Tenho medo de mim mesma, de tudo e de todos.
― Nada temas. Diz tudo o que te digo, dita tudo, mesmo quando te parecer que nada sabes ditar. Faz assim, para cumprires a Minha divina vontade; faz assim, porque assim Me amas e fazes amado. Diz ao teu Paizinho que o Meu divino amor, as Minhas divinas graças são para ele superabundantes. O mestre de almas precisa de graças divinas, precisa de amor para as conduzir a Mim. Quantas mais almas Me entregar, mais enriquecido será por Mim. Diz-lhe que o confiar e esperar sinceramente em Meu divino Coração é já ter em suas mãos a realização de todas as Minhas promessas. Confiança, confiança. Dá-lhe todo o Meu amor divino. Diz ao teu médico que estou sempre ao lado e dos seus. As minhas bênçãos e protecção estão sempre sobre ele. Diz-lhe que em tudo Me deve ter sentido e bem representado o Meu poder divino. Para todas as coisas já tem tido e terá doravante a luz do Divino Espírito Santo. Diz-lhe que, em Meu nome diga ao Meu queridíssimo Cardeal Patriarca que o Meu divino Coração ferve de amor por ele como panela de água em vivas chamas. Que lhe diga que confio e espero tanto dele para as Minhas coisas, como ele confiou e esperou em Mim até ao fim. Eu não atendi aos seus desejos, porque na Minha sabedoria infinita vi tudo. Quis premiar aquele que tanto fez por Mim, e se avizinham laços infernais para o fazerem cair. Há no mundo veneno mais perigoso para as almas do que a víbora para os corpos. Satanás trabalha tanto com os seus obreiros!

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 1º de Novembro de 1947 - Sexta-feira)

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