21 de novembro de 2011

QUERO DAR-VOS ALMAS...

Não Vos esqueçais dos meus pedidos

Vou cumprir o meu dever de obediência, meu Jesus, mas oh! com que sacrifício! Sabeis, meu doce Amor, que diga a verdade, só a verdade. Só vós conheceis quanto me custa.
Juntou-se à repugnância que a alma tem em abrir-se a dizer o que sofre, a falta de forças do meu corpo. O que eu tenho sofrido! Que pobre farrapo, desfeito pela dor! Tudo aceitei, tudo sofri, bendizendo alegremente ao Senhor. Bendita seja a minha cruz, bendito seja tudo o que me dais, bendito seja o Vosso amor, ó Jesus sou a Vossa vítima. Aceitai tudo para reparar a justiça do Vosso Eterno Pai, para desagravar o Vosso divino Coração, tirar-lhe todos os espinhos e ao da querida Mãezinha. Não Vos esqueçais dos meus pedidos: e nomeava-lhes vários. Assim falava ao meu querido Jesus, quando o abatimento e a prostração assim mo permitiam. Quando a sede, os ardores da febre me abrasavam mais, e, por vezes, nem sequer ao menos podia refrescar a boca nem os lábios com um bocadinho de água, pela qual eu parecia morrer de saúde, eu fitava a imagem do Sagrado Coração de Jesus, e dizia-lhe: o que há-de ser, meu Amor, a Vossa sede das almas; quero dar-Vo-las todas, todas; por todas morrestes, abrasado em amor, e por todas continua a vossa sede ardentíssima. Seja por Vós e pelas almas a minha sede, ó Jesus.
Parecia-me que, nestes momentos, era por um pouco a minha sede refrigerada. Sofri tanto, tanto, meu Jesus, e quanto mais sofri, menos encontrei, menos vi, mais vazia fiquei. Sinto-me num mundo de escuridão, de isolamento, sem nada, sem ninguém. E este mundo, em que eu tão só me encontro, o qual é só cinza, podridão nojenta, é regado pelo meu sangue; sinto-o a sair do meu corpo como chuva torrencial; não fica nem um só bocadinho desta cinza sem ser no sangue ensopada. Vejo esta massa de ensope e eu sozinha, mesmo sozinha sobre ela a sentir morrer em mim esta vida que por mim, ou em mim, tanto sangue deu. Que desfalecimento! Tenho medo de mim mesma, tenho medo de tanto sangue ver morrer e sem vantagem para toda a humanidade. Tudo está morto, tudo desapareceu. Para que é tanto sangue, Jesus? Sou em tudo a Vossa vítima; tudo é por Vós.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 14 de Novembro de 1947 - Sexta-feira)

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