18 de novembro de 2011

“COM O CEU NÃO ACABA A TUA MISSÃO...”

Quem sofre não sou eu, quem sofre no meu corpo sois Vós.

Hoje tomei com Ele a cruz com o corpo todo chagado e a cabeça cheia de espinhos; seguimos o Calvário. Em todo o trajecto, caímos por tantas vezes desfalecidos; eu sentia o rosto de Jesus, poisado na terra dura; respirava contra ela e os Seus lábios divinos pareciam beijá-la, ao mesmo tempo que nova chuva de pancadas caíam sobre o Seu Santíssimo corpo. No Calvário senti e vi que, ao despir Jesus, o fizeram com toda a crueldade. O Seu divino corpo, coberto de sangue e feridas, não comoveu os seus duros corações. Aumentaram com isto a amargura de Jesus. Foi nesta amargura que Ele ficou todo o tempo da agonia até expirar. Custou-me tanto a aguentar este sofrimento de Jesus! Custou-me tanto suportar as palpitações fortíssimas do Seu divino Coração! Palpitava de amor pelo mundo endurecido e culpado, e palpitava de dor, quando o Pai pedia compaixão.
Era noite, noite tremenda. Senti o meu peito rasgar-se como fino pano; foi talvez no momento que Jesus expirou, não porque eu sentisse Ele expirar, mas pelo silêncio, noite e morte que em mim passava. Que sofrimento, que noite tão assustadora! De repente, iluminou-se toda a minha alma com uma luz que iluminava o mundo. Ouvi como quem bate palmas e ao mesmo tempo a voz terníssima de Jesus disse-me:
― Minha filha, minha filha, quem bate, quem te chama é Jesus. Repara; é a minha luz divina que te ilumina, para que saibas que sou Eu, para que compreendas a luz celeste e saibas distingui-la das trevas que Eu permito. Sou Eu, está atenta para bem sentires e gozares da Minha paz, a paz que te dou, a paz que vem de Mim, a paz que conforta e dá vida para sofreres. Coragem, um pouco mais. A tua vida, aqui neste desterro, é brevíssima; confia, vem o Céu, a tua Pátria, a eternidade de gozo. Ao terminar o teu exílio, a tua dor, principia, Eu to prometo, Eu to prometo, como recompensa, a cair para a terra uma chuva de graças constantes que vão penetrar nas almas. Não acaba a tua missão, a tua bela e sublimíssima missão. Enquanto que no mundo houver almas para salvar, não cessará de chover essa chuva de graças e maravilhas prodigiosas. É o prémio da tua dor.
― Meu Jesus, dizei que é o prémio da Vossa dor, que é a chuva das Vossas maravilhas e prodígios. Quem sofre não sou eu, quem sofre no meu corpo sois Vós. Muito obrigada pela promessa que me dais; alegro-me com ela, porque me alegro na salvação das almas. Sou Vossa, Jesus, para Vos amar, sou Vossa para com o que é Vosso as salvar.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 31 de Outubro de 1947 - Sexta-feira)

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