28 de novembro de 2011

A MAIS ALTA MISSÃO...

Jesus ficou em silêncio e eu a nadar em paz e gozo

— Em ti estou bem, Minha pomba amada, ao abrigo do teu coração não pode o mundo ferir-Me.
― Meu Jesus, meu terno amor, que confusão e vergonha a minha! Quero cair humilhada e contrita aos Vossos  divinos pés e aí chorar as minhas culpas. Como podeis Vós que tudo vedes, falar assim da maior de todas as pecadoras, da mais indigna das Vossos filhas!
― Assim teria sido, Minha querida, se Eu não velasse por ti e não correspondesses às Minha divinas graças. O fazer-te conhecer o mal não tirou à tua alma o brilho e a graça; conhecê-lo não é praticá-lo. E só assim podias dar ao Meu divino Coração a reparação para tantos pecados e tantos crimes! És a Minha vítima, a quem confiei a mais alta missão. E como prova disso atende bem ao que te digo para bem o saberes dizer. Quase um século era passado que Eu mandei a esta privilegiada Freguesia a cruz para sinal da tua crucifixão. Não a mandei de rosas, porque as não tinha, eram só espinhos; nem de oiro, porque esse com pedras preciosas serias tu com as tuas virtudes, com o teu heroísmo a adorná-la. A cruz foi de terra, porque a mesma terra a preparou. Estava preparada a cruz; faltava a vítima, mas já nos planos divinos estava escolhida; foste tu. O mal aumentou, a onda dos crimes atingiu o seu auge, tinha que ser a vítima imolada; vieste, foi o mundo a crucificar-te. Agora partes para o Céu e a cruz fica até ao fim do mundo como ficou também a Minha. Foi a maldade humana a preparar-Me a Minha, e a mesma maldade preparou a tua. Oh! como são grandes os desígnios do Senhor! Como são grandes e admiráveis, que encantos eles têm! Poderia Eu na Minha sabedoria infinita assemelhar-te mais a Mim? Desta cruz, desta imolação tirei dois proveitos: o amor à cruz, o amor à minha imagem crucificada e a grande reparação. Não é só a Minha Alexandrina a ser na cruz crucificada, mas Cristo nela e com ela. É necessário maior prova? Estudem os sábios, estudem aqueles, não a quem dei a luz, mas a quem a vou dar. Alguns a quem a dei e a não aceitaram, não voltam a recebê-la. Partes para o Céu, Minha filha, mas por ti continua a obra da salvação. Acode às almas, acode às almas. Fica por um pouco a gozar a Minha paz para dela tomares conforto para a luta. No meio das tuas trevas, recorda estes momentos, lembra-te que sou Eu, confia em Mim.
Jesus ficou em silêncio e eu a nadar em paz e gozo; não tinha dúvidas que era Jesus. Uns momentos depois Jesus interrompeu o silêncio, e com o tubo doirado, ligado ao Seu divino Coração, introduziu-o no meu.
― Vais receber a gotinha do Meu Sangue divino e juntamente o meu divino amor com toda a abundância.
Pelo centro do Coração divino de Jesus saíam labaredas altíssimas; senti-me a arder e a queimar nelas; tudo em mim era fogo. Jesus com carícias e o bafejar dos Seus lábios divinos, desligou o tubo, retirou o Coração, apagou as chamas.
― Vai, filhinha, vai esposa Minha, não temas a cruz; comigo vences. Dá-Me dor, dá-Me dor, dá-Me amor, dá-Me amor. Vai para a cruz, vai salvar as almas, condu-las a Mim. Vai semear, leva o Meu divino amor. Vai, diz tudo, oferece-Me o sacrifício. Coragem, coragem.
― Obrigada, meu Jesus. Por não ter querer, tudo faço pelo Vosso divino amor; dai-me força, dai-me luz.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 5 de Dezembro de 1947 - Sexta-feira)

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