5 de novembro de 2011

RESISTE Á TUA DOR

Vi que três Anjos sustentavam em suas mãos...

Quarto da Beata Alexandrina
― Minha filha, Minha filha, coração de oiro, palácio da minha habitação, sacrário das minhas delícias; nele depositei o meu amor, todos os Meus divinos tesouros e riquezas sem fim. Estas riquezas são para as almas, são para o mundo. Repara, vê que centro de maravilhas é o teu coração; é levantado ao Céu pelos Anjos e por Minhas divinas mãos oferecido a Meu Eterno Pai para aplacar a Sua justiça, para O fazer esquecer as maldades humanas!
Vi que três Anjos sustentavam em suas mãos um centro riquíssimo, parecia uma piscina toda iluminada e adornada com o amor de Jesus. Vi que Ele a levantava ao Céu em Suas divinas mãos. Não saí da minha dor. Fiquei tão pequenina, parecia-me estar de rasto, junto aos pés de Jesus. Não soube dizer-Lhe uma palavra. Ele tomou-me para o Seu regaço, inclinou-me para o Seu peito Santíssimo o meu rosto e pôs-me a beber na chaga do Seu divino Coração e ali ficamos por algum tempo em silêncio. Jesus interrompeu e disse:
― Bebe, bebe, minha filha, levanta o teu desfalecimento, resiste à tua dor, sacia-te; é o meu divino amor. Eu quero-te na dor, quero-te na treva para Me consolares, para acudires ao mundo ingrato, ao mundo que Me foge. O teu coração é um palácio com portas de virtudes pelas quais entram e passam para Mim os pobres pecadores. Aceitas o ficar em grande dor e agonia, afim de reparares o Meu divino Coração e acudires às almas, até que possas dar-te a alguns combates do demónio? Estou à espera deles, pede, minha filha, para mos poderes dar.
― Ó meu Jesus, aceito a maior dor, aceito a maior agonia, aceito tudo, se sois comigo e tudo Vos dou, se me deixarem. Tudo Vos dou sem ter que Vos dar; sinto que nada estou aqui a fazer.
― Tudo aceitas, minha filha! Que grande alegria para mim! Não poderei deixar de te exaltar e dar-te os títulos de maior honra e maior louvor. Não posso Eu exaltar-te e dizer-te: minha bela, és toda minha? Que grande bem estás tu aqui a fazer às almas! Este Calvário é para elas o amor que as abrasa, fonte que as lava e purifica, luz que as alumia e trai a Mim. A tua dor, a tua dor, minha filha, é dor de salvação; sobe ao Céu incessantemente, dia e noite, e depois de Me reparar é pelos Anjos atirada às almas e nelas vai penetrar como raio fulminante. Confia, confia, a tua dor é de conquista, é de salvação. Parecia-me que o Céu estava aberto e muitos Anjos espalhavam para a terra, ora para um lado, ora para outro, não sei o quê; estavam canseirosos, não sei o que semeavam. Não te demores, filha querida; faz a lista das almas que queres que passem da terra ao Céu; fazendo isso, consolas-Me e sempre continuas a amar-Me.
― Sim, meu Jesus, faço-o logo que me mandem; eu quero consolar-Vos, quero amar-Vos. Aceitai-a já, como se ela neste momento fosse feita. Nela ponho a todos que agora me estão presentes, a todos que querem que eu ponha e todas aquelas que é do Vosso divino desejo.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 10 de Outubro de 1947 - Sexta-feira)

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