28 de novembro de 2011

PODRIDÃO E LAMA

Tenho dentro de mim um rochedo mundial...

Meu Deus, como se pode aguentar tanto abandono. Tenho medo de estar tão só. Fugir-me, tudo, tudo e todos! Ó meu Jesus, faça-se a Vossa vontade divina. Eu vou à Vossa procura, ao Vosso encontro mesmo com sentir que quanto mais Vos busco mais me fugis. Só Deus me basta, só Jesus quero; confio que não sou por Ele abandonada. Sofro tanto por não poder fazer bem todas a todos, mesmo aos meus inimigos, se é que eu os tenho. É tal a dor que sinto por não fazer bem a toda a humanidade, até mesmo àqueles que mais me têm ferido, que por vezes não posso resistir. Consolar a todos, remediar todos os males, dar a todos a graça do Senhor, são os meus desejos.
Ó meu Jesus, que ânsias insaciáveis! Eu não sei que sinto em meu coração, sinto-o cheio, mesmo a transbordar, não sei com quê, que é o remédio de todos os males. Este remédio, isto que me enche o coração, não é meu, é uma coisa muito sublime, muito superior a mim. Parece que tenho o coração aberto e nele umas mãos a apontar para ele a indicar o caminho, a entrada, para ir buscar tudo aquilo de que o coração está a transbordar. Sinto bem que tudo isto é desprezado; poucos se querem aproveitar deste remédio, desta riqueza. E por isso sofro, sofro uma dor quase insuportável. Não posso fazer o bem; fazei-o Vós em mim e por mim, meu Jesus.
Tenho dentro de mim um rochedo mundial, é mesmo o mundo, sinto que o é. À volta deste rochedo, anda um mar infinitamente maior a bater mansamente com suas ondas meigas e doces, ondas de convite, ondas de quem quer entrar. Mas este rochedo, não é só rochedo inquebrável, cobriu-se também de podridão, de lodo e lama. As ondas batem com tanta doçura como que a afagar; querem lavar toda aquela imundície para depois abrandar toda a dureza; mas em vão. Dentro deste rochedo, está o veneno, de que eu sou portadora, está encoberto, mas apesar disso, opõe-se como víbora, como leão furioso, para que não possa este rochedo ser lavado nem amolecido! Ai como Jesus sofre! Que ingrata é a humanidade!

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 5 de Dezembro de 1947 - Sexta-feira)

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