23 de novembro de 2011

COMO EU SOU OFENDIDO !

Acode às almas !

Veio Jesus, tomou lugar em meu coração, passeava nele como numa grande sala, passeava aflito o doce Jesus, parecia não caber em Si.
― Minha filha, Minha filha, Minha filha...
E calava-se, continuando a andar no mesmo aposento, na mesma aflição. Voltou novamente:
― Minha filha, Minha filha, Minha filha.
E continuava a andar silencioso, a soluçar e a derramar lágrimas. Pela terceira vez chamou:
― Minha filha, Minha filha, Minha filha, quero abafar e encobrir em Mim a dor do Meu divino Coração, e não posso, tenho que desabafar contigo não com gosto de te fazer sofrer, mas sim para Me acudires às almas. Como Eu sou ofendido! Elas correm para o pecado, elas lançam-se para as labaredas dos crimes, loucas, loucas, pelas paixões. Sofre, acode-lhes, não as deixes morrer eternamente. Continua a Minha obra salvadora, a obra da redenção. Faz tu agora o que Eu sozinho já não posso fazer; só posso continuar a salvar o mundo em ti, através de ti.
― Ó meu Jesus, ó meu doce Amor, se os meus pobres sofrimentos por Vós forem enriquecidos, algum valor têm. Por que é que chorais? Não sabeis que eu quero sofrer, que aceito tudo para Vos consolar e salvar as almas?
― Minha filha, coração puro, coração generoso, coração de amor, choro para te mover à compaixão do Meu divino Coração. Aceitas a ficar novamente com o vestido dos Meus espinhos? Aceitas a viver assim ferida? Só assim Eu não sofro, só assim não necessito de chorar.
― Sim, meu Jesus, aceito por vosso amor, mas sozinha não posso, quero a Vossa força e divina graça.
― Tudo possuis, tudo é contigo, esposa das esposas, vítima das vítimas, encanto dos Meus encantos. Escuta-me agora atentamente. Escreve: Santo Padre, santo Padre, Meu querido Representante na terra, escuta a voz de Jesus, fala ao mundo, fala ao mundo; fala aos bispos em segredo, para que estes falem aos seus padres. São tão poucos os que são a luz do mundo e o sol da terra! Padres seculares, que cumpram o seu dever, são pétalas, que o vento levou, deixando-as espalhadas; uma aqui, outra muito mais além. Que escândalo, que veneno, para as almas, são os sacerdotes destes dias, deste século! Santo Padre, santo Padre, Meu querido Representante, fala ao mundo, faz ouvir a tua voz, dum pólo ao outro. Faça-se oração, faça-se penitência. Vida nova, vida pura. Depressa, depressa cai sobre a terra a justiça de Meu Pai. Mãos à obra. Principie por quem deve principiar, venha o exemplo do alto. Minha filha, vai dizer tudo, nada escape do que te disse. Vai acender-se a luz do Espírito Santo, para dissipar todas as tuas trevas, para que conheças que em ti é tudo obra divina.
Principiei a gozar duma luz brilhante e a gozar do amor de Jesus e a nadar na Sua paz.
― Se assim fosse sempre, meu Jesus, nada podia temer, nada podia duvidar.
― Coragem, Minha filha. Recebe agora toda a luz para dela viveres, logo que caias nas trevas. Fora de Mim é cegueira, fora de Mim sentirás nada saberes dizer, mas é o teu Calvário doloroso, são as Minhas divinas palavras a cumprirem-se. Vou dar-te lentamente a gota do Meu divino Sangue, uno os nossos corações para descansar Eu no teu e tu no Meu, enquanto que do Meu recebes a luz e o amor; a vida que é a tua vida, o amor que Eu quero que espalhes, que incendeies, que infundas nos corações e nas almas. Vai, pede aos meus amigos para que Me amem e reparem o Meu divino Coração. Vai espalhar o bem, vai com as tuas trevas da luz; vai dar ao mundo, espalhar nele o perfume celeste, o perfume das grandes virtudes. Coragem, não temas a cegueira, não temas a ignorância, não temas a cruz. O divino Espírito Santo ilumina-te, Eu falo em teus lábios e em ti venço e levo a cruz.
― Obrigada, obrigada, meu Jesus.
Depois de umas horas do meu colóquio com Jesus, ao acabar de ditar tudo isto, caí no mundo da maior cegueira. Que ignorante eu sou! Bendita seja a cruz do meu Senhor. Quero a todo o custo, amá-Lo, e, a todo o custo, salvar-Lhe almas.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 21 de Novembro de 1947 - Sexta-feira)

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