16 de novembro de 2011

EU SOU SEMPRE A MESMA...

Vejo tantos defeitos em mim...

Oh! quanto sofre o meu corpo, e que dor e luta interior na minha alma! Como pode ser isto?
Sofrendo eu tanto, não só me parece que os sofrimentos não são meus, mas para mais doloroso ainda, sinto que nada sofro; sinto que não sofro e sinto a dor, e sofro, sofro, sofro tanto. O meu corpo, desfeito pela dor, é menos que o pó que o vento espalha. E na minha alma, ó meu Deus, que grande horror! Sinto que tenho duas almas, uma que sofre e a outra que não pode sofrer. A que não sofre não é minha, e a que sofre não são meus os sofrimentos. A que não sofre é puríssima parece que tudo vê e em toda a parte habita e que nada se lhe pode ocultar; é dela a terra, é dela o Céu. A que sofre está em trevas, não é pura, está manchada. Mas não sei como; são duas almas e uma só alma. A que é pura está ligada à culpada; dá-lhe vida, ampara-a, encaminha-a. Mas eu não posso aguentar em mim esta pureza, unida a tanta miséria, que eu sou; é um sol, é um brilho que eu não posso enfrentar, faz-me conhecer mais os meus defeitos e horrorizar-me deles. Se eu tivesse força para corrigir-me e emendar-me para sempre! Vejo os defeitos em mim, e não sou capaz, não tenho forças para não cair. Tantas vezes invoco o nome de Jesus, tantas vezes chamo pela Mãezinha e Lhe peço que me faça pura, obediente e humilde, que me encha de tudo o que é Dela, para que Jesus em mim só a Ela veja!
E sou sempre a mesma, cheia de maldade, coberta de crimes, a desfazer de podridão, e sempre a ser esmagada pelo Céu e sempre debaixo desse esmagamento a espirrar, a espalhar veneno por todos os meus sentidos, por todo o meu corpo. Que horror, que horror, ó meu Deus, que veneno me sai dos olhos e de todo o meu ser, como ele envenena o mundo e tenta atirar contra o Céu esse mesmo veneno!
Sinto a Jesus crucificado em todo o meu corpo; sempre as chagas Dele em minhas mãos, pés e coração, sempre o corpo ferido e a cabeça cercada de espinhos. Não sou eu, é Jesus que está em assim, é Ele que assim sofre; é o Seu divino Coração que tem espinhos, lança, espadas, punhais e setas.
É Ele que sofre com a Mãezinha e vêm os dois sofrer em mim. É por Jesus que eu vejo quanto Ele sofre, toda a dor Dela. E a tudo isto se vieram juntar mais dores, mais torturas de almas. Como, Jesus é bom; é Ele que tudo manda, tudo permite.
Com estes sofrimentos não sofro por mim, sofro por saber sofrerem os que me são tão queridos e não lhes poder acudir. Por pessoa, que grande lugar ocupa em meu coração, foi-me recomendada a saúde de um enfermo. Meu Deus, o que eu sofri, me sacrifiquei e orei por ele; ofereci-me como vítima a Jesus; disse-Lhe que, durante um mês, descarregasse sobre o meu corpo e alma todos os sofrimentos, que Lhe aprouvesse, em cima dos que eu já tinha, contanto que Ele e Mãezinha fossem comigo, para eu poder sofrer, mas que me dessem a vida daquele enfermo, sem prejuízo da sua salvação e da glória de Deus!

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 24 de Outubro de 1947 - Sexta-feira)

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