11 de abril de 2012

ALGUÉM ME JULGA…

Que hei-de fazer pelo mundo, como hei-de transformá-lo?

Não acredito nas minhas dores nem no que digo nem no que faço; tudo me parece mentira, uma completa intrujice. Sinto que o é, mas por graça de Deus não encontro nada em mim a que possa chamar intrujice. O que sofro é por Jesus e pelas almas, o que faço é com os olhos n’Ele e por Seu amor. Alguém me julga da forma que eu me sinto, por isso sofro ainda mais. O que seria de mim, se Jesus não visse e não soubesse tudo. O que eu quero é agradar-Lhe a Ele e consolá-Lo com esta penosa vida, que não é vida ou, se o é, não me pertence. Tudo passa, tudo me foge; tudo passa, tudo me roubam. E eu sempre aqui, não chega o meu céu. Para não faltar à minha palavra com Jesus não lho peço. Mas ai que saudades e que sofrimentos, mais do tempo a parecer-me insuportáveis. É no meio da dor que o coração vai perdendo a vida, não pode resistir; não explico o meu tormento. É certo que Jesus sofre em mim, mas mesmo assim a dor domina-me, caio no desfalecimento. Sinto que a morte vai caminhando para mim, a morte por que tanto suspiro, a morte que eu quero chamar vida, a morte que me leva a gozar de Jesus e da Mãezinha. Deixo então as minhas tristezas, dores e amarguras, vou pedir por todos os que amo, vou pedir pelo mundo inteiro; não vou esquecer os causadores de tanto sofrimento para mim; hei-de pedir por eles, quero que Jesus lhes dê amor, quero que lhes dê o céu. Sinto que sou o mundo, um mundo do rochedo mais duro e fechado e sinto que estou dentro desse mundo. Tenho de transformar esse rochedo, de pedra dura transformá-lo em pedras preciosas, em oiro fino. Que esforço o meu no meio desse rochedo sem poder mover-me para nada; tenho de o mover, de o desfazer, tenho que fazer dele um mundo belo, agradável a Jesus, de encantos para todo o céu.
— Ó Jesus, vede esta louquinha, vede o martírio que a consome. Que hei-de fazer pelo mundo, como hei-de transformá-lo? De que forma hei-de consolar e alegrar o Vosso divino Coração? Faltou-me a acção do Divino Espírito Santo; parece-me que não tenho as Suas graças, as Suas luzes. Sou pobrezinha que nada tem e nada pode vir a ter. Que será de mim, meu Jesus! Não posso viver sem Vós, sem Vós nada posso sofrer.
*****
(Beata Alexandrina; Sentimentos da alma, 15 de Fevereiro de 1945).

Sem comentários: