14 de abril de 2012

NADA VIA EM TI DE MISÉRIA

Tu és o espelho que tudo reflecte.

— Minha pura, minha bela, maior é o sacrifício, mais tens que oferecer-me. Escuta então. Não é de joelhos, de mãos postas e com lágrimas que se movem os corações à compaixão? É tão grande o amor que tenho às almas como grande é o meu poder. O meu procedimento é a sede das almas. Não se pode comparar a sede humana à sede divina. Quantas vezes as criaturas, para saciarem a sua sede ardente, ajoelham-se, mergulhando seus lábios em água nojenta, lodosa e em lama. Eu, a grandeza sem igual, para saciar minha sede, para pedir a salvação das minhas almas, ajoelhei-me na minha esposa querida, revestida de mim, transformada em mim, a pedir-lhe as almas, a pedir-lhe o mundo, esse mundo que é lodo e lama nojenta. Assim transformada em mim, nada via em ti de miséria; vi as minhas maravilhas, a minha grandeza. Não é verdade que eu disse: “o que é grande faça-se pequeno”? Tu és o espelho que tudo reflecte. Em ti, como quando passei no mundo, vou dando o exemplo. Maravilhosa lição, ensina-a às almas. És tu, filha minha, que lhe dás o passaporte para a eternidade. Ai do mundo, ai de Portugal, se não corresponderem às graças que lhes dou. Ai do mundo, mas ai mais ainda de Portugal, se não agradecer os benefícios que por ti recebe. Espalha pureza, espalha a graça, incendeia amor, amor, amor. E descansa, vítima inocente, em meu divino coração, toma conforto para a tua dor sem igual e inigualável martírio.
Inclinei-me eu então para Jesus, descansei no Seu Divino Coração, e nova efusão de amor, vinda d’Ele, abrasou o meu coração. Já vai alta a noite, sinto-o a arder, mas já mal posso dizer palavra.
— Tomai, meu Jesus, tomai em conta o meu sacrifício. Se em mim houvesse querer, preferia andar sempre, sempre de rosto em terra e nada dizer do que se passa em minha alma.

(Beata Alexandrina : Sentimentos da alma, 23 de Fevereiro de 1945 – Sexta-Feira)

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