14 de abril de 2012

VISÃO: ERA UM BOSQUE FECHADO

A minha cama é de espinhos

Na noite de 27, tive uma visão de espinhos que me causou enorme sofrimento e medo. Era um bosque de espinhos, só espinhos à minha frente; era um bosque fechado. Subiam a tanta altura, enleados uns nos outros que eu não lhes via o fim. Todos eles pendiam a cair sobre mim, muito grossos e extensos. Não soube o significado disto, nada compreendi. O que fiquei a sentir desde então é que estou toda envolta neles. A minha cama é de espinhos, a roupa que me cobre é de espinhos, a que visto são espinhos, eu mesma sou de espinhos. Tudo é dor, tudo é sangue, dor que me não pertence, sangue que não é meu. Estou no meio desse bosque, que ele mesmo é sangue, sangue que floresce e dá a vida a todos os espinhos. E sobre eles continua a cair sempre a mesma chuva orvalhosa de sangue. Que espinhos tão reverdecidos! A minha alma sente que deles vão brotar uma nova chuva de botões brancos. Além destes espinhos, tenho recebido tantos cravados pelas criaturas e de quem menos esperava. Tem-me custado tanto encobrir as minhas lágrimas! Gostava que só Jesus as visse. Meu Deus, oh! quantas amarguras dentro em mim. Não posso ter nenhum apoio na terra, nada posso esperar daqui. Ai, até mesmo os que me são tão queridos, até desses tomou Jesus para Si a alegria e o conforto que me podiam dar. Sinto-me diante deles envergonhada, assustada como se os tivesse ofendido e contra eles praticado os maiores crimes.
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(Beata Alexandrina : Sentimentos da alma, 1 de Março de 1945)

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