11 de abril de 2012

ANDO COMO LOUQUINHA À VOLTA DO MUNDO

Aceitai esta minha miséria…

Que hei-de eu dizer da minha dor? Nada em comparação do que sinto. Ó meu Deus, que dias tão cheios de dores, tristezas e amarguras. Oh! quanto eu tive de oferecer a Jesus. Oh! se eu Lhe soubesse oferecer tudo quanto magoou o meu coração, o meu corpo e a minha alma! Pobre de mim, não sei falar ao meu Amado, ao meu tudo. Ai, quem me dera que estes dias fossem cheios de amor a Jesus, como foram cheios de grande martírio. Que miséria a minha, eu não O sei amar. Sinto que é Ele a minha loucura em tudo e acima de tudo; sinto que tudo o que faço é por Ele e para Ele. Sinto que todo o amor que dedico a todos os que me são queridos nada é em comparação daquele com que desejo amar o meu Jesus. E não tenho nisto consolação alguma. Não tenho gosto em nada do que sofro e Lhe ofereço, nada é meu, nada vejo em mim a não ser os maiores horrores de miséria.
— Ó Jesus, ó Mãezinha, como nada mais tenho para oferecer-Vos, aceitai esta minha miséria, fazei que ela sirva de honra e consolação para Vós e proveito para as almas.
Ando louquinha à volta do mundo, numa canseira incessável, levo comigo fortes cadeias, quero cercá-lo, quero prendê-lo nessas cadeias. Quero o mundo todo num molhinho, no meio dele Jesus e a Mãezinha. Ó meu Deus, se eu conseguisse não deixar sair deste molhinho nenhuma alma. Se o fogo de Jesus e da Mãezinha incendiasse todos os corações deste molhinho, que bendiria eu por toda a eternidade todos os meus sofrimentos. A chuva orvalhosa continua a cair sobre a humanidade.
— Jesus, Jesus, fazei que seja chuva de amor, chuva de salvação. Não digo nada do que me vai na alma, não digo nada das aspirações que sinto. Se eu deixasse o mundo preso e pudesse ir para o limbo baptizar as almas! E se, depois disso, pudesse ir ao inferno arrancar para Vós as que lá estão! Meu Deus, não sei o que hei-de fazer. Jesus, resisti Vós à minha dor. Vede o meu coração e a minha alma a rasgarem-se continuamente com esta amargura. É por Vós, é pelas almas.
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(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 123 de Fevereiro de 1945).

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