11 de abril de 2012

FALANDO COM UMA ALMA ARREDADA…

— Bendito seja o Senhor, a Sua santíssima vontade se faça !

—  Se o mundo conhecesse, minha filha, o que é a vida do amor divino!
Dito isto, senti-me sozinha, confortada, sim, e só em ânsias de consolar o meu Jesus, mas logo mergulhada num mar imenso de dor. De vez em quando a receber espinhos, que vêm cercar o meu coração, e continuamente a ser esmagada por desgostos e humilhações. Esperava receber um pouquinho de alegria, não por mim, mas por ver os meus contentes. Jesus não o permitiu, tirou-me a ocasião dessa alegria, desse bocadinho de consolação que eu queria sentir. Ao ver que Jesus me tirava tudo, não tive outras palavras a não ser repetir muitas vezes:
— Bendito seja o Senhor, a Sua santíssima vontade se faça. Ó meu Jesus, aceitai a consolação e alegria que eu poderia sentir, seja ela consolação e alegria para Vós. Aceitai a alegria e aquele regozijo que eu poderia ver entre os que me são queridos. Seja tudo pela salvação das almas.
Ontem, depois das três horas ou mais que passei a falar das coisas de Jesus com uma alma arredada d’Ele há muitos anos e que nunca conheci a frequentar a igreja, fiquei banhada em suor e cansada sem poder mover meus lábios para dizer palavra. Mas este meu esforço não ficou sem recompensa. Jesus permitiu que eu sentisse por algum tempo alegria em meu coração. Essa alma deu-me sinais de arrependimento e prometeu-me esforçar-se por em breve mudar de vida. Parece-me bem que, dentro de breves dias, ela vai ser arrancada das garras de Satanás.
— Ai, se eu visse assim nestas disposições todas as que estão arredadas de Jesus! Quero sofrer, quero sofrer, quero salvá-las. Amo-as, são de Jesus.
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(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 123 de Fevereiro de 1945).

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