13 de abril de 2012

É A GRANDEZA SOBRE O NADA

Jesus, não quero pecar

Vivo na presença do meu Deus sem O amar, sem O conhecer, sem nada Lhe dar. É a grandeza sobre o nada, é o fogo no gelo, a vida na morte. Jesus assim o quer.
— Ó vontade do meu Senhor, só a ti quero também.
Mais uma noite em que o demónio veio duas vezes, com os seus penosos e tremendos ataques. A princípio, lutei só com ele. Como demorasse a conseguir de mim o que desejava, disse-me que ia chamar mais demónios para satisfazer-me. Assim o fez: vieram mais. Combati por muito tempo ainda. Nova ameaça:
— Não vais ao prazer por tua vontade, convido mais para te levarem ao pecado, ao crime.
Tudo isto era acompanhado de palavras e nomes horrorosos. Pobre de mim. O suor escorria-me, o coração palpitava aflitivamente. Só depois do mal feito, ou que a mim me pareceu que foi mal feito, coberta duma dor sem igual, bradei, afirmei:
— Valei-me, Jesus, não quero pecar.
Era impossível eu mover uma aresta. Meu Deus, que posição violenta! Ouvi Jesus que falava a meu lado, enquanto eu estava sobre um abismo cercado em toda a volta dum enleio de espinhos. Vi-os claramente, porque, por entre os espinhos, brilhava mais branca que a neve não sei o que era, pareciam pedacinhos de nuvens; com a sua alvura, brilhavam e apareciam os espinhos agudíssimos, enleados uns nos outros. Era tão grande o abismo, não tinha fundo. Era negro, negro, assustador. Só me encantavam os espinhos com a alvura daqueles pedacinhos brancos. Quando Jesus chamava: “anjo, meu querido anjo, anjo da minha esposa e vítima, leva-a ao seu lugar, com todo o amor e carinho”, no mesmo instante tomei a minha posição, fiquei nas minhas almofadas. Principiei a ver o fundo do abismo que vinha subindo, subindo quase até cima como se fosse uma enchente de água. Jesus cobriu-me de carícias e disse-me:
— Não pecaste, não pecaste, minha amada.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 26 de Fevereiro de 1945)

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