6 de abril de 2012

TIVE DE CAMINHAR À FRENTE

Que grande tempo de agonia...

Logo de manhã cedo, senti tão maltratado o meu coração; a dor, as humilhações espremiam-me, já não tinha sangue para dar ao corpo. Senti o caminho do meu calvário, saiu-me ao encontro a Mãezinha; fitou-me, eu fitei-a a Ela. Uniram-se os nossos corações na mesma dor. A troca dos nossos olhares não se demoraram, tive de caminhar à frente, maltratada, empurrada, arrastada. Mas a dor dos nossos corações não se separou. Era como que dois fios eléctricos que dão ligação um para o outro. Quase logo que cheguei ao calvário, fui cravada na cruz. Que grande tempo de agonia. O sangue corria, as chagas rasgavam-se cada vez mais. As lágrimas da Mãezinha corriam em meu coração. Ela era um farol para mim e eu outro para Ela, farol que dava luz para descobrir todos os nossos sofrimentos. Ainda sem ter expirado, senti que me rasgaram o coração. Essa dor antecipou-se, porque, depois de morrer, não a podia sentir.
(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 16 de Fevereiro de 1945)

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