14 de abril de 2012

DE NOVO O MALDITO…

És tu que queres pecar...

Depois de muito lutar, principiou novamente o maldito a encher-me de nomes e a dizer-me:
— Eu não te tocava e nada te disse; és tu que queres pecar, és tu que queres o prazer.
Depois de satisfeitos os seus desejos, ou porque Nosso Senhor o obrigasse, ele deixou-me. Mas não me deixou a tristeza e a amargura; não me deixou o abandono; não me deixaram as lágrimas e a agonia da Mãezinha e os seus olhares dolorosos, cheios de compaixão por mim. Com que aflição, com que agonia eu bradei ao céu, sempre, sempre, até expirar: “Pai, meu Pai, porque me abandonaste?” Não era eu que bradava, era o meu coração; não era eu que o queria fazer, mas a força da dor e da agonia me obrigava. E, neste transe, veio Jesus, descia do céu para a terra, embebido numa nuvem; deu entrada no meu coração e disse-me:
— Minha filha, sol da terra, fogo dos corações, honra e alegria do céu. Sol que, com os seus raios brilhantes, aqueces e iluminas toda a humanidade. Fogo que abrasas e purificas os corações. Honra e alegria do céu, porque, ao ver a tua dor, ao ver o teu martírio, que já lá está escrito agora e por toda a eternidade, alegra-me, honra-me, glorifica-me. Todo o céu bendiz o meu santo nome, pela vítima imolada, pela vida das vidas, pela vítima das almas. Vim do céu, minha filha, desci do meu trono divino, vim ao meu palácio, ao meu céu da terra, subi ao trono da minha rainha. Venho da minha glória desabafar contigo as minhas mágoas. Diz-me, amada minha, queres consolar-me? Queres alegrar o meu divino coração tão triste? Queres dar-me tudo até a consolação que de mim devias receber? Fala-me, fala-me com a tua língua de ouro, o teu coração de fogo.
— Jesus, que me pedireis que eu não Vos dê? Conto sempre com a Vossa graça para com ela poder sofrer tudo e dar-Vos tudo o que de mim desejais. Viva eu sempre na tristeza e na amargura, para Vós, meu Jesus, viverdes só na consolação e na alegria.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 2 de Março de 1945)

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