16 de abril de 2012

QUERIA UMA PAZ FEITA DE PERDÃO

Queria ir à frente de todos os governadores das nações

Desde o domingo passado, sinto-me mãe da humanidade, mãe extremosa; ao mesmo tempo, a dor vem de encontro a este amor, dor causada pelas desordens destes irmãos que sinto serem filhos meus.
Queria ir à frente de todos os governadores das nações a pedir-lhes a paz, para se reconciliarem uns com os outros. Mas queria uma paz feita de perdão duradouro, para não voltarem mais às mesmas desordens. Quantas vezes sinto uma ânsia tão grande de fazer isto, que me parece voar para junto deles. Para conseguir esta reconciliação, não pouparia o meu corpo aos maiores suplícios e sacrifícios, que me levassem de rasto de nação em nação, de fazer o que há de mais custoso. Queria tomar nas minhas mãos o Coração Santíssimo de Jesus, poder-lhes dizer: “vedes como está ferido! São os nossos pecados que assim o ferem!” Além dos espinhos, em que estou envolvida, sinto também agora e vejo com a minha alma os feixes de varas espinhosas com que estou a ser açoitada. Faz-me estremecer muitas vezes cada golpe que me fere o corpo e a alma. Desde sábado, tenho em mim um grande medo de Jesus, e, desde domingo, juntou-se em mim o medo da Mãezinha, com quem não me atrevo ter um desabafo, assim como aumenta o medo das pessoas que me são queridas. Desejo que o médico, que Padre Humberto venham ao pé de mim, mas ao mesmo tempo atormenta-me o medo da sua presença. Medo que desaparece para deixar lugar a uma indiferença, chegando a pensar que não falo com eles, e chego até a pensar se sim ou não existem no mundo.
Acabei a oferta dos assaltos do demónio pelas três almas por Jesus recomendadas. Deu-me um grande conforto a notícia de que uma dessas almas deu um grande passo para o bom caminho. Não sei, porém, ainda se deixou a má vida de todo.


(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 6 de Março de 1945)

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