10 de abril de 2012

OH! MUNDO, O QUE HEI-DE FAZER DE TI?

Dai-lhes o céu, o céu, meu Jesus!

A minha dor! Nem eu sei dizer. Que noite tão tenebrosa e triste. Que horrores dentro em mim. Sinto que não posso resistir a tanto. Ó dor, ó dor, horrível tormento. Não posso demorar aqui mais tempo. Assim o disse ontem a Jesus:
— Não posso, não posso, meu Amor, demorar-me aqui.
Quero deixar o mundo e quero levá-lo comigo; não o quero e amo-o; não lhe pertenço e ele é meu; aborreço tudo o que é do mundo e quero prendê-lo, abraçá-lo a ponto de não mais o deixar.
— Ó mundo, o que hei-de fazer por ti. Quero voar para o céu, quero partir para fora deste desterro, quero ir para a minha Pátria e quero levar-te comigo; quero entrar no céu, mas com toda a humanidade.
— Ai, meu Jesus, o que hei-de eu fazer? Ó meu Jesus, deixai-me ir ao limbo, não Vos esqueçais que são Vossas as almas que lá estão. Quero ser vítima, levai-me ao sacrifício por elas. Dai-lhes o céu, o céu, meu Jesus, dai-lho pela Vossa morte, pelas dores da Mãezinha querida. Eu não queria ter um minuto de sossego para o meu corpo, enquanto o mundo existisse, queria que a minha vida fosse percorrê-lo todo dum lado ao outro, sem parar um momento, sempre de rasto, sempre a pisar espinhos, num banho de sangue, numa só chaga, para libertar da escuridão as almas queridas, filhas do Vosso sangue, meu Jesus. Não sei que mais sofrimentos possa desejar para o meu corpo. Ouvi o meu brado, meu Deus e Senhor. Eu aceito tudo o que seja dor, eu aceito tudo o que seja o martírio, mas quero o mundo salvo e na Vossa glória as almas do limbo. É pelo amor com que Vos quero amar, é com a ânsia de Vos dar a maior das consolações que eu quero salvar e levar ao céu todas as filhinhas do Vosso Divino Coração. Amo-as, porque em todas Vos vejo a Vós; amo-as, porque primeiro de tudo e acima de tudo sois o preferido, ó meu Amor. Sim, parece-me estar louca por Vos amar. Não sinto o amor que Vos tenho, mas sinto a loucura por Vós. Sim, meu Jesus, fazei-me perder e desaparecer para sempre no Vosso amor infinito.
(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 8 de Fevereiro de 1945)

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