27 de outubro de 2011

CORAÇÃO DE FOGO, CORAÇÃO DE AMOR

O número dos criminosos aumenta e o das almas vítimas diminui

Veio Jesus, e disse-me:
― Minha filha, tabernáculo de delícias, coração de fogo, coração de amor. Aqui, como em nenhum outro coração, Eu Me delicio e sou amado; aqui, como em nenhuma outra vítima, Eu recebo reparação. Repara, repara; a dor é cruz, a cruz é amor. A dor e o amor dá aos ingratos, dá aos pecadores o Céu. Se não fosse a dor e o amor abrir-lhes as portas, não havia Céu para eles apesar de existir. Continua comigo a obra da redenção; acode ao mundo, acode ao mundo. Tu és alma pura, trigo loiro joeirado, seara florescente das almas. Coragem, Minha filha! Salva-Me os pecadores. O número dos criminosos aumenta e o das almas vítimas diminui; atemorizam-se ao sentirem os sofrimentos; ao verem a cruz fogem, fogem, fogem; tornam-se tíbias e ingratas para o Meu divino Coração.
― Ó meu Jesus, ao número desses infelizes pertenço eu também. Eu fui ingrata para Vós, não soube sofrer, não aceitei também a cruz que de novo me enviastes. Que confusão a minha, ao ouvir-Vos dizer que Vos deliciais em mim, depois de eu ter sido tão má! Perdoai-me, meu Jesus, perdoai-me; dei mau exemplo, tende misericórdia de mim.
Jesus sorriu, cheio de bondade, e disse:
― Não Me ofendeste, não, Minha filha. Eu sorri, ao ouvir-te falar assim em tão grande aflição. Permiti que assim falasses, para tirar da tua dor a reparação, que desejava. Não Me ofendeste, não; confia em Mim. É no meio da luta, no combate mais renhido que a alma fiel, a alma forte mostra o seu amor a Jesus. Se o combate só fosse um não custava nada vencer. Consola-Me tanto ver-te na Minha divina presença humilhada! Tem coragem! Sê forte na cruz. Sê forte na dor. É com essa fortaleza, é com esse conjunto de dor e amor que acodes às almas, que acodes ao mundo, que te confiei, e que é tão ingrato para Comigo. Vê no estado em que Me põem os pecadores. Sou por eles ferido com as suas horrendas maldades, como o caminhante que é assaltado por ladrões, que procuram todos os meios para lhe tirarem a vida. Não morro, porque não posso morrer, mas repara bem no estado em que Me puseram.
Vi Jesus, caído à borda de uma estrada; era um mendigo chagado, esfarrapado, a tiritar de frio; parecia estar nos últimos momentos de vida. Acudi logo:
― Meu Jesus, quero levantar-Vos e não posso, quero curar-Vos as Vossas chagas e não sei quero consolar-Vos e não tenho com quê. Sou a Vossa vítima. Quero perder eu a vida, e assim chagada como Vós estais a tiritar, não de frio, mas de dor. Alegrai-Vos, Jesus, com a alegria, consolai-Vos com a Vossa divina consolação; aceitai-a, como se fosse minha, tomai a Vossa formosura e deixai-me sofrer a mim.
Jesus ficou formoso, ficou o mesmo Jesus, e disse-me:
― Ó Minha esposa querida, ó grande heroína do Calvário, em ti encontrei tudo, a ti tudo entreguei: o mundo e todos os Meus divinos tesouros; utiliza-te deles e brada incessantemente a toda a humanidade: convertei-vos, vinde a Jesus, orai e fazei penitência, se quereis salvar-vos. Deixa agora, Minha filha, que te dê o Meu divino Sangue; sem ele não tens vida,  sem ele não podes dar a vida às almas.
Foi um momento para Jesus introduzir o tubo doirado no meu coração e deixar cair no meu a gotinha do Seu Sangue. Senti-me grande, tão grande, sem poder com tanta grandeza. Jesus colocou sobre o meu peito Sua divina mão, como para cicatrizar a abertura que o tubo fez. Deixei de sentir aquela grandeza; pude resistir.
― Vai, luz brilhante; vai, relâmpago faiscante; vai, farol, que guias os errantes para o Meu divino Coração, para o Meu Coração de Pai. Leva o Meu amor, leva a Minha paz, braça a cruz que te espera e vem já ao teu encontro.
― Obrigada, meu Jesus. Vou para a cruz, vou contente; vinde comigo, sem a vossa graça não tento abraçá-la.


(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 26 de Setembro de 1947 - Sexta-feira)

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