9 de outubro de 2011

NÃO TE PREOCUPES COM OS TEUS DEFEITOS

Ó meu Jesus, ó meu Jesus, estou cheia de defeitos...


— A tua vida é de maravilhas e encantos divinos. O teu sofrimento é uma salvação contínua. Ensinas às almas a resignação, a caridade e o amor; és escola de virtudes; é por isso que Eu quero que muitas almas, que o mundo aqui venha aprender.
― Ó meu Jesus, ó meu Jesus, estou cheia de defeitos. As almas aprendem em mim as impaciências, os maus modos e tantas coisas, que lhes dou mau exemplo, e Vos desgostam a Vós. Perdoai-me, vede como estou triste pela minha má edificação, por não ser perfeita e aceitar tudo com alegria. Desgostei-Vos, Jesus? Estais triste comigo?
Jesus sorriu-se com a doçura, e, depois de um intervalo de silêncio, disse-me:
― Não estou triste, não Minha filha, compreendo-te bem. Queres escondimento. Mas olha; para ser mais perfeito, entrega-te a Mim, e obedece em tudo, na certeza que em tudo fazes sempre a minha divina vontade. Não te preocupes com os teus defeitos; quanto mais perto está o sol, mais perto está a luz. Quanto mais te aproximas de Mim, mais vês a poeira das tuas faltas, com os raios do Meu sol divino. Eu vou pedir-te, Minha vítima amada, combates com o demónio; preciso de grande reparação; aceitas?
― Ó meu bom Jesus, e se Vos ofendo? Eu só os temo com receio de Vos ofender.
― São dolorosos, são, Minha filha, mas mais dolorosos ainda, são os espinhos que vêm ferir-Me. Que crimes horrorosos. Horrorosos têm que ser os combates. Mas não Me ofendes; Eu não o permito. Previno-te, desde já; o maldito vai atormentar-te, que estou revoltado contra ti, que fui Eu que te castiguei, mas não fui. Foi ele que veio dizer-Me que conseguia a tua desesperação, a tua revolta contra Mim, se Eu o deixasse espancar-te e com a cruz. Como Eu via a consolação que Me ias dar e que nada de culpa havia em ti, consenti. Arrancou-te dos braços, mas sem te tocar, a cruz, com a Minha imagem crucificada e atirou-te com ela fortemente. Disse-lhe: “Basta”; e ele fugiu. Se soubesses, Minha esposa amada, quando de novo, Me abraçaste e repetiste muitas vezes: meu Jesus, por Vosso amor; a consolação que deste ao Meu Divino Coração, que alegria e gozo seria o teu! Que furor e raiva a do maldito! Se Eu o deixava assaltar-te, num momento, tirava-te a vida. Vem agora ao teu alimento, à vida que dás às almas, a gota do Meu divino Sangue.
Jesus colocou, no meu coração, o mesmo tubo dourado; depois, uniu o Seu divino Coração, caiu a gotinha de Sangue, e ficou, por algum tempo, a infundir-me amor.
― Enche-te, enche-te, Minha filha, e dá às almas este amor, esta doçura e carinho.
― Aceitai, Jesus, tudo o que eu Vos possa dar, que Vos console, e tudo que Vos possam dar os que me são queridos.
― Espalha por todos este amor, porque a todos amo loucamente. Filha querida, filha querida, repara bem, fita a cruz, vai para ela, vai com o teu sorriso, ama-a, olha as almas, acode-lhes; olha os pecadores, salva-os. Vai, vai com amor. Vou contente, meu Jesus; acompanhai-me sempre.
― Muito obrigada, muito obrigada, meu doce amor; sou a Vossa vítima.

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(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 8 de Agosto de 1947 - Sexta-feira)

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