27 de outubro de 2011

O MALDITO ATACA...

O demónio tentava vencer-me e calar a Jesus.


Jesus, no íntimo, repetia-me sempre o mesmo, e o maldito, muito satisfeito, maltratava-me de insultos. Eu orava, orava, e chorava, não podia estancar as lágrimas. Ardiam duas velas a Jesus e à Mãezinha; pedia-Lhes sossego, pedia-Lhes conforto. Oferecia a Jesus todo o sofrimento para reparar o Seu divino Coração e O da Mãezinha e por várias intenções. Mas eu não podia mais, o meu espírito já não resistia. O demónio tentava vencer-me e calar a Jesus. Eu temia vacilar. Senti que Jesus veio expulsar, para longe, o demónio. Fiquei mais calma por um pouco; deixei de chorar e continuei a orar. Oferecia a Jesus o cântico dos galos, que duma e doutra parte, se ouviam e as festas de um gatinho que junto de mim estava. Aceitai todo este louvor, já que eu não vo-lo sei dar. Queria pedir para me porem no chão duro, para fazer penitência, com uma firme confiança de que, ainda que todos estivessem mortos, Jesus a todos podia ressuscitar. Porque, nesta altura, já o demónio tinha voltado com as suas falsas manhas e mentiras. Eu então vi-os a todos conduzidos ao hospital, em mísero estado. E um caderno e uma carta que o senhor doutor levava, visto e lido por quem queria; já tudo se sabia. Jesus ia bradando:
― Confia no teu Jesus, não há ferimento nenhum. Prova-Me a tua confiança em Mim. Foi o meu divino amor, que assim vos quis associar.
Chegou a hora em que eu tinha dito ao filhinho do senhor doutor, se não aparecesse ninguém que ficava sossegada, que tudo estava bem; mas não foi para mim, não consegui sossegar. Era já dia; eu não pedia para mandarem saber o que se tinha passado, para mostrar a Jesus que confiava Nele e não dar alegria ao demónio. Depois de insistirem, aceitei. Ao ser informada pelo senhor doutor do que se tinha passado e de que, na verdade, não havia ferimento algum, chorava, agradecia e louvava ao Senhor; oferecia-Lhe os meus suspiros e continuei a oferecê-los, por espaço de alguns dias, porque, sem querer, tinha que suspirar e respirar fundo. Não sei dizer o mal que esta aflição deixou em mim. Por tudo bendigo Nosso senhor, mas a dor das palavras que, sem querer, pronunciei, continua ainda. Tenho confiança que Jesus me perdoou.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 26 de Setembro de 1947 - Sexta-feira)

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