27 de outubro de 2011

O ANIVERSÁRIO DO MÉDICO

― Sossega, Minha filha; não houve desastre

O Dr Manuel Augusto de Azevedo,
médico da Alexandrina
No dia 21, passou o aniversário do meu médico. Veio visitar-me com a esposa e 7 filhinhos entre os quais vinham todos os meus afilhados. Não digo que senti alegria, porque essa Jesus não me permite senti-la, mas, sim, uma grande estima junto com um grande conforto. Retiraram-se ao ser noite. Passados uns momentos, principiei a sentir em mim uma grande preocupação; cheguei a perguntar se o carro teria luz. Não pude orar, para que tivesse boa viagem, porque estava acompanhada, mas nem por isso o meu coração deixava de Lha desejar. Passava já de uma hora solar, quando nos parou à porta um carro; bateram; minha irmã, sobressaltada, foi ver o que se passava. Era o filho mais velho do meu querido médico, que vinha à procura do Pai, da Mãe e dos irmãos. Não sei dizer o que senti, pareceu-me que fiquei louca; não pude conter as lágrimas, chorava em grande aflição; vi tudo pelo pior. Ao ver esse querido filhinho com sinais de profunda dor, sem pensar o que dizia, exclamei: eu sou uma desgraçada e a desgraça de toda a gente. Ao acabar de pronunciar a última palavra e a reflectir no que dizia, veio-me logo o arrependimento, e, ao mesmo tempo, o remorso pelo mau exemplo que acabava de dar. Meu Jesus, perdoai-me, já não tem cura; é desta forma que eu Vos amo, tende compaixão de mim.
Travou-se um combate, dos mais aterradores da minha vida. Estava Jesus, o demónio e eu. Eu vi-os todos em estilhaços e em sangue, sem vida, onde só depois de dia se podiam encontrar. Nove pessoas! Ai tanta criancinha, exclamava eu, e por minha causa; se não fosse eu, eles não vinham aqui. Nesta dor indizível, Jesus, no íntimo do coração, dizia-me:
― Sossega, Minha filha; não houve desastre, não há o mais pequenino ferimento. Eu não permitia isso àquele a quem tanto amo e tão firme e fielmente tem cuidado e velado pela Minha divina causa. Sossega, confia em Mim. Estou para ver a tua coragem. Permiti isto para grande reparação; repara. Sou, nesta noite, tão ofendido.
Jesus segredava-me isto docemente, e o demónio, forte e bruscamente, dizia-me:
― Só assim a tua vida será descoberta. Que grande castigo! Já todos estão no inferno, até mesmo dois dos teus afilhados. Olha que horror; foram as tuas maldades! Eles eram inocentes, mas foi por ti que foram condenados. Este já não chega a casa.
Referia-se ao que tinha vindo procurá-los.
― À procura deste vêm os que estão em casa; acabam, nesta noite, todos os descendentes daquele a quem tanto odeio. Só assim me satisfaço do mal que ele me tem feito e podia vir a fazer. Que castigo, que vergonha!

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 26 de Setembro de 1947 - Sexta-feira)

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