sexta-feira, outubro 14, 2011

Ó AMOR DE JESUS QUE NÃO ÉS CONHECIDO !

Ó dolorosa e tremenda agonia!

As dúvidas sugeridas por Satanás, são, em algumas horas, espinhos penetrantes; chuva queimadora que penetra todo o meu ser. Sem saber falar para Jesus, peço-Lhe para ler em mim, para ler em meu coração, e, escondida na divina chaga Dele e, à sombra do manto da querida Mãezinha, deixo passar a tempestade; não posso ter perigo com tal protecção.
Ontem, ainda muito cedo, o meu coração voava para o Horto beber na fonte de toda a dor, levava consigo outra fonte superior ainda; era a do amor. Este obrigava a beber na outra. E todas as horas do dia, pensasse, dissesse, ou sofresse fosse o que fosse, do Horto vinham constantemente punhais agudos a retalharem-me o coração. Que triste era o horto e doloroso o Calvário que a ele se unia! Terminada a ceia, ao sair da sala, foi a despedida de Jesus e da Mãezinha; uniram-se os Seus divinos Corações e rostos, uniram-se os Seus amores para não mais se separarem; choravam as Suas almas. Era o Horto; ía ser o Calvário de Jesus e da Mãezinha. Caminhei para lá com Jesus, com Ele bebi até à última gota a cálice da amargura. Sobre os meus vestidos ou sobre os vestidos de Jesus, formaram-se outros vestidos, vestidos de sangue coalhado. Ó dolorosa e tremenda agonia! Ó amor de Jesus, que não és conhecido nem compreendido!
Hoje, de manhãzinha, senti que o meu peito principiou a ser o caminho da amargura, pelo qual seguiu Jesus ao Calvário. O meu peito era e sangue; espinhos postos pelo mundo, sangue que Jesus derramava. A minha alma via-O caminhar, desfiguradíssimo, sem nada se parecer com Jesus, levando aos ombros o pesado madeiro. Senti-o cair, muitas vezes, quase moribundo. Não podia respirar com estes dolorosos sentimentos. O meu caminho é espinhos e sangue; e Jesus, todo ferido, era, cruz, dor e amor.
Quando a Verónica limpou o rosto de Jesus, eu senti, como se o meu rosto e o amor do meu coração, que não era o meu amor, ficassem no pano imprimidos. No alto da cruz, eu morria por morrer, morria por dar a vida. Sentia no meu coração o Coração divino de Jesus a arder, a ferver; sentia Ele regar com o Seu divino Sangue e romper por entre uma montanha de sofrimentos. Era formada de pedra dura, mas o sangue divino de Jesus transformava-a. Só sangue de um Deus podia obter tal transformação; só uma força divina podia resistir a tanta dor. Eu sentia os Seus olhos divinos entreabrirem-se, para, na maior agonia, bradar ao Pai.
A Mãezinha rodeava a cruz. Não posso dizer, não sei dizer o que a Mãezinha sofria. Com que dor Ela fitava Jesus. O Seu amado Filho via e sofria tudo. Foi, pela segunda vez, que eu senti e vi a escada pela qual foi descido Jesus e posto nos braços da Mãezinha. Vi as suas lágrimas e setas; senti a Sua dor. Jesus viu tudo antes de expirar. Quanto devo a Jesus em ter-me associado aos Seus sofrimentos, aos da Mãezinha e em agonizar com Ele. Veio Jesus ressuscitar-me. Demorou-se um pouco; veio, deu-me vida, mas não me deu luz; falava-me, estava em paz, mas em grandes trevas.

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(Beata Alexandrina; Sentimentos da alma, 22 de Agosto de 1947 - Sexta-feira)

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