3 de outubro de 2011

EU SORRIA E A ALMA CHORAVA

 Passei três dias sem receber o meu Jesus



O demónio veio-me com dois os assaltos; veio de repente sem eu o esperar. Comecei a aborrecer e não querer junto de mim o crucifixo nem a querida Mãezinha, e ele logo me assaltou com gestos e feias palavras. Eu fiquei conhecedora de todas as maldades; nestes momentos, parece-me não haver pecados nem crimes que eu não conheça e não pratique, o que, graças a Deus não acontece fora destes combates. Lutei, lutei; o suor banhou-me o corpo; o coração parecia abafar-me, dentro do peito. Chamei Jesus e a Mãezinha para não pecar. Ser vítima sim, mas pecar não. Fiquei aterrada e cheia de vergonha, sem poder abraçar-me ao crucifixo. Quando pude, abracei, acariciei a Mãezinha, e disse-Lhe: Mãezinha, Mãezinha, o que é a minha vida; tende compaixão de mim.
Passei três dias sem receber o meu Jesus, não posso dizer o meu desfalecimento; tinha fome Dele. Senti tanto a Sua falta! Sofria como se tivesse as chagas abertas e a cabeça cercada de espinhos; sentia como se das Suas feridas corresse sangue; e, por vezes, dos olhos, ouvidos e boca sentia-o correr também; o meu corpo era como se fosse uma só ferida. Faltava-me o receber Jesus, que é a força de tanto sofrer.
Chegou a tarde de quinta-feira; começou o meu Horto com o ver chorar Jesus sobre Jerusalém; mas desta vez, as lágrimas de Jesus não eram só para a cidade, eram para o mundo inteiro. A minha alma chorava com Jesus; chorava como há tempos para cá chora, sem parar, mesmo no meio daquilo que me possa dar alegria; não sei pelo quê a alma chora sempre, mas, ao ver as lágrimas de Jesus, chorou mais ainda. A seguir, vi as escadas pelas quais Jesus subiu depois de ser açoitado e nas quais deixou marcados selos do Seu divino Sangue. Custou-me imenso, custou-me profundamente este sentimento e visão. Pouco depois, chegou alguém, que vinha de Roma; recebi presentes; eu sorria e a alma chorava. Falaram-me de várias coisas, que eu, por graça e misericórdia do Senhor já conhecia. Sofria ao ouvir, mas quando me falaram das escadas que Jesus tinha subido e que eu há bem pouco tinha visto e sentido, foi tal a dor, que me pareceu que o coração rebentou e saiu fora do peito; faltou-me a respiração, e, sem querer, dei um profundo gemido. Procurei mudar de assunto. Como a fome de Jesus era muito grande, disse que não tinha comungado. Um santo sacerdote, que estava presente, foi-me buscá-Lo. Recebi-O; incendiou-me de fogo o coração e o peito; curou-me, por algum tempo, as feridas da alma, e, numa união muito íntima, Ele disse-me:
― Venho abrasar-te com o Meu divino amor; quero queimar-Me também no teu, Minha filha. Ama-Me, enche-te de Mim, mata a tua fome. Como Eu te amo! Vê como Eu cuido de ti.

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(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 18 de Julho de 1947).

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