24 de outubro de 2011

JESUS DESFALECIA

Pobre Jesus, queria caminhar e não podia

Na tarde de ontem, ainda mesmo por ter que responder a muitas perguntas que me foram feitas sobre as coisas de Jesus, sofria a minha alma e via, ao mesmo tempo, uma cegueira mundial, pior que a minha cegueira, mais dolorosa que as minhas trevas, pois era cegueira de maldades e crimes; eu rompia por entre elas com o coração a arder, ou melhor, rompia Jesus e o fogo era Dele. Num rápido momento, vi-O abraçar a cruz, oferecida por aquela cegueira maldosa que eu via. Depois desse abraço, tomou-a para Ele e caminhava com ela, de braços abertos, mas sempre com um braço do Seu divino Coração; aquele abraço abraçava todo o sofrimento. Assim cheguei com Jesus ao Horto; sofri ali com Ele o cálice amargurado, com Ele senti esmagar-se-me o coração, romperem-se-me as veias e o sangue correr. Não sei se sim se não, mas pareceu-me adormecer. Ao despertar, fui ainda encontrar Jesus na mesma agonia do Horto. Pensei a noite já a ir alta, mas não ia, era cedo ainda. Fui com Ele para a prisão, lá O deixei quase moribundo.
Hoje, mais moribundo ainda, segui com Ele as ruas do Calvário. Sentia pisar só espinhos pelos caminhos árduos e duros.. Jesus desfalecia cada vez mais. O meu coração sentia todo o Seu esforço. Pobre Jesus, queria caminhar e não podia; era arrastado pela maldade e pelo amor; foi ele, só ele que o conduziu ao Calvário. A cruz fui eu, Ele foi em mim crucificado. Eu sentia tanto ao vivo as Suas chagas divinas! O meu corpo parecia ser só o de Jesus. Custou tanto ao meu coração sentir os martelos a baterem sobre os cravos. As pancadas não iam só para as chagas vinham também para o coração. Pelo Coração divino de Jesus eu via as setas  no Coração da Mãezinha, via as suas lágrimas e olhares angustiosos e as ânsias do Seu Santíssimo Coração de querer subir à cruz a limpar o rosto Santíssimo de Jesus, apanhar em seu manto as lágrimas de sangue e curar-Lhe todas as Suas feridas. O Calvário mantinha-se duro e toda a montanha que era o mundo se levantava contra Jesus com ondas de sofrimento piores, muito piores que as ondas mais furiosas do mar. O inocentíssimo Jesus estava num gemido contínuo. Eu sentia em mim abrirem-se os Seus divinos olhos ao bradar ao Seu Eterno Pai. Quando Jesus disse: Pai; nas Tuas mãos entrego o Meu espírito, falou o Seu divino Coração: é chegada a hora do amor, morro por Vós, não posso fazer mais, e expirou. Tempo depois, já com toda a vida fez-me viver também e disse-me:
― Minha filha, fonte de vida, abismo sem fim, abismo inesgotável dos tesouros e maravilhas do Senhor. Esqueci-te, esqueci-te, com tudo o que era meu; não te enriqueci para ti, enriqueci-te para o mundo, para as almas. Fiz tudo, empreguei todos os meios para lhes acudir, para as salvar. E a recompensa? O que me fazem elas? Olha para Mim, repara bem, Minha filha.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 20 de Setembro de 1947 - Sexta-feira)

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