14 de outubro de 2011

POBRE HUMANIDADE !...

Toda a minha alma se iluminou!

― Minha filha, Minha filha, esposa Minha, esposa de dor, esposa de amor. Toma lá, aceita o Meu divino Coração; tens chave. Vê se consegues fechar nele a pobre Humanidade. As almas, as almas, afoga-as no Meu divino Sangue, incendeia-as neste amor. O mundo, o mundo, com ele peca; que maus-tratos Me dá; como Eu estou ferido!
Jesus dizia isto e chorava copiosas lágrimas, via-O chorar, ouvia os Seus soluços, não tinha nenhuma beleza, que triste mendigo Ele era; as Suas carnes Santíssimas estavam despedaçadas; que grandes feridas; o sangue escorria!
― Sabeis, meu Jesus, que não posso ver-Vos chorar, nem assim ferido; dizei-me, dizei-me, pela Vossa Paixão, pelo Vosso divino Sangue, pelas dores da Mãezinha o que posso fazer por Vós, para não sofrerdes, para Vos consolar.
― A tua dor, Minha filha, o teu amor são o bálsamo do Meu sofrer. Quero-te na cruz; não te posso ter, um momento, fora dela, porque nem um só momento estou sem ser ofendido. O mundo, o pobre mundo, o que será dele, o que o espera; bem depressa se ouvirá nele a voz do canhão, bem depressa gemerá entre o fogo aceso da justiça do Meu Pai! Pede, brada, diz, Minha filha, que não será muitas vezes que Jesus o chama, que Jesus o convida à penitência, à oração. Brada, brada depressa; está a ser tarde para a reconciliação. Coragem, coragem, alegre na cruz, alegre na dor. Como é grande, como é sem igual a reparação que Me dás. Grande, muito grande, com grandeza inigualável é o amor. Espalha-o, incendeia-o nas almas; acode-lhes, salva-as para não Me veres sofrer. Vou dar-te o Meu divino Sangue, a vida do teu corpo, a vida da tua alma, a vida das almas.
Introduziu Jesus o tubo no meu coração; era doirado; introduziu-o bem fundo, bem no fundo foi cair a gota do Seu Sangue divino. Não desligou o Seu Santíssimo Coração; deixou-O, por algum tempo, a infundir-me amor. Ao receber o Sangue e o amor de Jesus, toda a minha alma se iluminou; desapareceu toda a treva.
― Meu Jesus, meu dulcíssimo amor, sei que sois Vós; é a Vossa luz que eu vejo. Porque me tivestes, até agora, em tantas trevas?
― Para Me reparares, filha amada; para mesmo comigo estares na cruz. As trevas, que vias, eram as trevas do pecado; eram os crimes, as maldades que assim Me tinha ferido. Já vês que sou Eu. Velo por ti. Não Me ausentei, sem te dar a Minha luz. Toma coragem e vai espalhar o Meu amor. Diz às almas que Eu as quero, que Eu as amo; trá-las todas a Mim. Coragem! Não te deixei sem o Meu conforto; supro os homens, ocupo o lugar daqueles que te deviam amparar e não os deixam amparar-te. Pobres daqueles, que se opões à Minha divina vontade! Eu venço. Bem depressa se cumprem as Minhas divinas palavras. Coragem! Leva a Minha alegria, o Meu sorriso, o Meu amor, a Minha paz.
― Obrigada, meu Jesus. Fazei que eu seja toda para Vós e para as almas e em tudo faça a Vossa divina vontade.
Deixei Jesus, mas já não O deixei a chorar; deixei-O formoso, cheio de luz. Vim logo para os meus sofrimentos, para a minha cruz; só o coração tem fogo. Já lá vão umas horas; ele ainda queima; todo o peito está em fogo. Que amargura já tenho na minha alma! Mas ai! Quem me dera com esta amargura levar às almas o meu amor de Jesus!

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(Beata Alexandrina; Sentimentos da alma, 22 de Agosto de 1947 - Sexta-feira)

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