13 de outubro de 2011

MINHA FILHA, VEM A TI JESUS

Os gestos e palavras do maldito causavam horror.

Tive 6 combates seguidos com o demónio. Que martírio! Tinha o inferno em mim, ou por outra, estava presa ao pecado e presa ao inferno; nem depois da luta eu saía das garras infernais. Era dos braços do demónio que eu me entregava ao pecado, ao prazer. Os gestos e palavras do maldito causavam horror. Clamei, clamei, invoquei o nome de Jesus e da Mãezinha, muitas e muitas vezes, e, mesmo na luta, fixei Neles os meus olhares, parecia-me não ter vergonha de estar na presença de Jesus e de ser vista pela Mãezinha. Com que coragem eu Lhes dizia que não queria pecar!
No último combate, que me pareceu não chegar a tanta gravidade, senti como se me cortassem uma cadeia, e eu fiquei livre do, inferno e do pecado; parecia-me ver para mim abertas as portas do Céu. A minha alma ficou em paz; por muito tempo passou de mim o receio, se sim ou não tinha pecado. Como é bom o meu Jesus, como Ele me ampara e vela por mim!
Na tarde de quinta-feira, senti como se me pusessem no coração uma montanha mundial; foi esta montanha que tive que transportar, atravessar, transformar. Oprimida, esmagada por ela, passei pela sala da ceia, pela sala do amor; derretia-me em amor, mas sempre na dor. Da sala passei ao Horto, a ser esmagada e sempre a transportar a mesma montanha. No Horto, senti todos os sofrimentos em conjunto; suei sangue, agonizei.
Hoje, de manhãzinha, toda ferida, com a cruz aos ombros, caminhei para o Calvário com um sofrimento inexplicável, que a minha cegueira não sabe ver. Sobre mim, sobre a minha cruz foi a mesma montanha de quinta-feira. Não podia respirar; desfalecida. Atraíram-me ao cimo da montanha ânsias de amor, ânsias de dar a vida. Fui crucificada, e, no alto da cruz, um brado incessante subia ao Céu, subia e não entrava, parecia-me o Eterno Pai não ter de mim compaixão. O sangue corria de todas as minhas chagas, a regar o solo do Calvário. O meu brado doloroso e moribundo ecoava ao fundo da montanha. O brado de Jesus quase a expirar ecoou, fez-se sentir em meu coração. Nesta dor expirei com Ele. Jesus não demorou, falou-me depressa, depressa, de novo, deu vida à minha alma. Senti, como se o azul do firmamento pousasse sobre o meu peito e o Céu se abrisse.
― Minha filha, desce a ti o Céu, vem a ti Jesus, o Jesus que em ti habita, o Jesus que fez do teu coração o Sacrário, do teu peito o palácio da Sua habitação Desce a ti o Céu, vem receber a fragrância dos teus sofrimentos, do teu martírio; vem receber a reparação que tens dado ao Meu divino Coração. Repara; está curado, já não tem chaga; foi a tua dor o bálsamo que a curou.

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(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 15 de Agosto de 1947 - Sexta-feira)

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