6 de outubro de 2011

MINHA FILHA, SOFRER É AMAR

Que choro na minha alma !

Que choro na minha alma! Fiquei logo assim, ontem, depois do colóquio com Jesus. É tão grande e de tal forma o sofrimento que sinto, que, hoje, de manhãzinha, sem querer, sem saber como, falei comigo mesma, e disse: “Não me obriguem a dizer os sofrimentos da minha alma, que eu não sei, não os conheço, tenho medo”. Só depois é que reflecti que era o meu coração que falava.
Num mundo de variáveis amarguras, esperei a chegada do meu Jesus, e preparei-me para O receber bem, o melhor que pude. Recebi-O, e não demorou muito tempo que Ele transformasse o estado da minha alma, mudando as amarguras em suavidade e doçura.
― Minha filha, sofrer é amar, viver na cruz é amor, amar o sofrimento, é amar Jesus e as almas, é subir ao mais alto grau de amor. A tua cruz é resplendorosa, é cruz de redenção. Ó Minha filha, se soubesses quanto necessito dos teus sofrimentos para reparar-Me! Deixa-Me desabafar. Olha como me tratam alguns sacerdotes.
Quando Jesus disse isto, vi abrir-Lhe o peito com um instrumento cortante; parecia uma espada. Depois de um grande golpe, de cima abaixo, começaram a cravarem-Lhe em Seu divino Coração punhais e mais punhais. Como Jesus sangrava! Acudi logo:
― Isso não, meu Jesus; deixar-Vos sofrer assim, não é para o meu coração de filha.
― Ó filha amada, ó filha amada, deixa-Me então crucificar-te.
Colocou-me Jesus sobre a cruz, e foi Ele mesmo a bater nos cravos; crucificou-me com doçura. Os sofrimentos de Jesus desapareceram, e eu fiquei na cruz, bem crucificadinha. Ele continuou:
― Vive assim, filha amada, para não caírem no inferno os sacerdotes, que tão mal Me tratam; os Meus amigos ou que deviam sê-lo. Eles não só renovam a Minha divina paixão, mas consentem que outros a renovem, recebendo-Me sacrilegamente. Dá-Me por eles, durante este mês, 5 horas por dia do teu sofrimento. Oferece-Mo tu, para que não caiam já no inferno. Eles não têm dó de Mim, não vêem o mundo com toda a sua luxúria e desonestidade; não vêem as almas a cometerem contra Mim os mais horrorosos crimes. E elas, e eles que deviam ser Meus amigos. Dá-Me o teu sofrimento por eles.
― Aceitai-O, desde já, Jesus, fazei de mim o que quiserdes; poupai-os ao inferno.
― Minha filha, diz ao teu Paizinho que por ti lhe dou o Meu divino Coração com todo o meu amor, com todas as minhas graças. Que tome para ele o que quiser, e que tire para cada alma tudo o que quiser. Não lhe posso dar maior prova de amor e do Meu contentamento para com ele. Criei-o para Mim, criei-o para as almas, e dou-lhe o que quero que ele dê às almas. Coragem, coragem, coragem e confiança. Diz ao teu médico que a fidelidade dele ao Meu chamamento a este Calvário para cuidar da Minha divina causa e cuidar de ti, atraiu para ele e para todos os que lhe são caros e com ele trabalham todo o Meu divino amor, todas as Minhas graças. Dei-lhe a maior honra, a maior glória que lhe podia dar na terra. Diz-lhe que o esperar humilhado e confiado é ter a vitória certa. Minha Mãe Bendita, vem consolar já a Nossa filhinha crucificada.

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(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 2 de Agosto de 1947 - Primeiro sábado)

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