22 de outubro de 2011

O INFRNO ESTAVA ABERTO

Que luta, que combate dentro de mim

Meu bom Jesus, sinto-me a não ter fé, nem amor, nem confiança. Que negra cegueira, que penosa vida! O demónio tenta-me, quer convencer-me de que não existe Deus, nem Céu, de que a religião é falsa e falsa é a minha vida. Tenho medo, Jesus, medo de mim, da minha vida e medo de Vós. Tudo se esconde, tudo se apaga, não tenho nada bom; o meu coração é um rochedo, está num mundo de gelo; piso em nojenta e peguenha lama, não posso desprender-me e sair dela. Que luta, que combate dentro de mim. Mas Vós existis, meu Jesus; sim, meu amor, em tenho confiança em Vós. Não sei dos actos de amor nem da reparação, que Vos dou; não é o meu coração nem os meus lábios que falam, não é o meu corpo que sofre e repara; é um outro, que não sou eu, a sofrer e a amar. Eu sou um nada nas mãos de Jesus. Eu não vivo, mas vive alguém; eu não sofro, mas alguém sofre; eu não amo, mas alguém ama em meu lugar. Se nada faço, ó meu Deus, que estou aqui a fazer? A Vossa divina vontade Senhor. Que os Vossos braços Santíssimos sejam as doces cadeias, que me prendem, para não ser arrastada por tão tremenda tempestade.
Nas horas da noite, que Jesus me pediu, para reparar e fazer-Lhe actos de amor, fiz todo o esforço para sofrer com perfeição e com amor para consolar Jesus, para Ele esquecer os crimes com que era ofendido. Tudo o que dizia eu fazia, morria, mas, apesar disso, era um verdadeiro inferno contra mim.
Os demónios queriam assaltar-me, mostravam-me os crimes e queriam levar-me a praticá-los. Que ódio contra mim e contra Jesus! Quanto mais eu O acariciava mais aumentava o furor do maldito. O inferno estava aberto, toda a raiva caía sobre mim. Sentia como se estivesse Jesus entre o inferno e os culpados. Nada mais sei dizer, digo apenas o que sei e sinto.
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(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 12 de Setembro de 1947 - Sexta-feira)

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