9 de outubro de 2011

O CORAÇÃO DIVINO DE JESUS ARDIA...

Eu vou mas fico...

Ontem, logo de manhã, gravaram-se na minha alma Jesus com os Seus Apóstolos. Jesus via aproximar-se a morte, e, quase sem poder com aquela separação, dizia: é chegada a minha hora, vou morrer; parto, mas fico convosco. E o Coração divino de Jesus ardia sem amor. Passavam-se as horas, o horror dos sofrimentos aumentava e o amor crescia também. Eu sentia, como se o meu peito fosse uma fornalha, o coração uma caldeira sempre a ferver sobre essa fornalha; quanto mais fervia mais deitava fora, quanto mais transbordava mais enchia. Jesus fitava a Mãezinha, voltava a fitar os Apóstolos, e, numa dor muita profunda, murmurava: tenho que deixar-Vos, não posso separar-Me de Vós; Eu vou, mas fico; prende-Me a Vós o Meu amor. E os laços do amor de Jesus enleavam-se, mais e mais, no Coração Santíssimo da Mãezinha e dos Apóstolos. Fui para a ceia, todas as palavras e sorrisos de Jesus eram amor. Se eu soubesse falar deste amor! Todo Ele era amor, amor, só amor, amor a enfrentar maldade e ingratidão. Judas, já não era Judas, já se via nele um verdadeiro demónio. Fui para o Horto, a minha alma sobre ele chorava amargamente, chorava com o rosto em terra, e, com o rosto em terra, senti abrir-se-me o coração e regar o solo com todo o meu sangue; quase me senti agonizar em tanta dor e amargura.
Hoje, não fui eu que senti o Calvário, foi Jesus que o seguiu dentro do meu peito e do meu coração que se representaram as ruas da amargura. Como eu sentia Jesus! Quanto me custou Ele caminhar tão desfalecido, cair tantas vezes banhado em suor e sangue, coberto de feridas e cercado de pungentes espinhos em Sua Sacrossanta Cabeça. Maldito seja o pecado; em que estado ele pôs Jesus! Falha-me o coração, por não saber compreender nem dizer os sofrimentos de tão penosa viagem. No cimo da montanha, então já era eu que sofria com Jesus; era Ele em mim, era eu Nele; todas as Suas chagas eram minhas, e minha foi a Sua crucifixão; era meu e Dele o sangue que no alto da cruz derramamos; era Dele e meu o amor que a toda a humanidade se estendia. Mas oh! que amor tão mal correspondido!
Com Jesus tudo me foi presente; vi o passado, o presente e o futuro. Que mundo de tanta maldade! Que Calvário de tanta agonia! Ver tanto sangue derramado, inútil para tantas almas. Assim agonizei, e Jesus comigo. Senti sair de mim a Sua vida; fiquei como morta à Sua espera. Ele demorou, mas principiou logo a enlear, a prender o meu coração a um mundo de corações; incendiou-me o peito num fogo abrasador, e disse-me:
― Minha filha, é com as cadeias do Meu divino amor que Eu te prendo aos corações e às almas. Coragem! Quer no Calvário quer na cruz, és o amor, és a vida, és a salvação dos pecadores. Eu estou contigo, e assim és e serás sempre uma cruz de redenção. A tua vida é de maravilhas e encantos divinos. O teu sofrimento é uma salvação contínua. Ensinas às almas a resignação, a caridade e o amor; és escola de virtudes; é por isso que Eu quero que muitas almas, que o mundo aqui venha aprender.

(Beata Alexandrina: Sentimentos da alma, 8 de Agosto de 1947 - Sexta-feira)

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