sexta-feira, maio 28, 2021

DESENVOLVIMENTO DA MINHA INSTRUÇÃO RELIGIOSA.

Quando me encontrava na igreja…


– Comecei a frequentar a catequese e a dar mostras de um grande defeito, a teimosice. Um dia fui à doutrina à igreja e o coadjutor do Senhor Abade, P.e António Matias, indicou-me o lugar que devia tomar entre as meninas da minha idade, mas, como ia acompanhada de outras mais velhas, quis tornar lugar delas. Por mais carinhos que o Reverendo me fizesse e me mostrasse santinhos, eu não fui capaz de ceder à sua ordem. Dias depois, Sua Reverência convenceu-me e ficou sendo muito meu amigo e até me abrigava da chuva debaixo do seu viatório, de casa à igreja e desta a casa. Lembro-me que era muito teimosa.

Quando me encontrava na igreja, punha-me a contemplar os santos, e os que mais me encantavam eram as imagens de Nossa Senhora do Rosário e S. José, porque tinham uns vestidos muito bonitos e eu desejava ter uns iguais aos deles. Não sei se seria já princípio da manifestação da minha vaidade. Queria ter uns vestidos assim, porque perecia-me que ficava mais bonita com eles.

E, se nesta idade manifestava os meus defeitos, também mostrava o meu amor para com a Mãe do Céu, e lembra-me com que entusiasmo cantava os versinhos a Nossa Senhora e até me recordo do primeiro cântico que entoei na igreja, que foi «Virgem pura, tua ternura, etc.»

Gostava muito de levar flores às zeladoras que compunham o altar da Mãezinha. (Alexandrina Maria da Costa: Autobiografia)

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