segunda-feira, maio 10, 2021

OS MEUS OLHOS NADA VÊEM

Vontade do meu Deus, quero-te


A minha língua, envolvida em trevas, parece estar presa e não poder mover-se para dizer a grande dor que me vai na alma. Os meus olhos nada vêem. Que dizer, que fazer, meu Jesus? Tremo de medo, temo a minha existência aqui. Que grande horror pensar que tenho de demorar-me neste triste exílio! É triste por ser triste, mas alegre por ser o que Jesus quer.

— Vontade divina, vontade do meu Deus, quero-te, abraço-te e nunca mais te largarei.

Os grandes arrancos da minha alma têm continuado; por vezes são como terramoto que tudo destrói; todo o meu ser parece ficar em estilhaços. E os sobressaltos vão-se repetindo: temo a todos, temo a mim mesma. Sem ver e sem forças para resistir, estou como se estivesse de braços abertos à espera de tudo o que o céu quiser enviar-me, o céu que me parece ser de trevas, o céu que baixa sobre mim e me obriga a infundir-me na terra, na terra de iguais trevas. A que profundeza já eu vou! Quanto mais esmagada, quanto mais me vou aprofundando, mais em trevas fico. Que horror! Parece não poder convencer-me que na terra há luz e há sol, que no céu há alegria, luz brilhante e amor sem fim. Meu Deus, não conheço nada, parece que nada disto experimentei. Sinto dentro em minha alma uma revolta do céu contra a terra. Jesus não pode mais aguentar com os crimes da pobre humanidade. Que quadro tão doloroso, que cena tão triste! Se o mundo pudesse ver o que se passa em mim, com certeza não pecaria mais. Se não o comovesse o amor de Jesus, aterrava-o a Sua justiça. Sinto, sinto toda a justiça divina a querer descarregar sobre a terra. Não sei quem é, é alguém que se prostra com grande aflição diante da justiça divina para sustentar o Seu braço poderoso, prestes a cair sobre a terra. Não é só a alma que o sente, vê com os seus olhos esta visão claramente.

— Meu Deus, só Vós sabeis quanto eu sofro e por quem sofro. É por Vós, é pelas almas. (Alexandrina Maria da Costa: 10 de Maio de 1945).

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