27 de julho de 2011

CARTA DA DEOLINDA

Balasar, 15 de Junho de 1936 - Carta da Deolinda

Deolinda Costa, irmã da Alexandrina
Viva Jesus!
Senhor P. Pinho
Resolvi escrever-lhe duas palavrinhas para V. Revª saber como tem passado a minha querida irmãzinha.
Durante a semana passou melhor um pouquinho em relação à noite do dia em que V. Revª aqui esteve. No sábado, durante o dia, já me pareceu que ela estava outra vez pior. À noite deu-lhe uma aflição tão grande que me pareceu que ela morria. Também lhe têm dado aquelas tremuras, como quando V. Revª aqui esteve. Agora continua muito, muito doentinha; fala pouco e com muita dificuldade. Quanto às aflições de alma, sempre sossegou mais um bocadinho — bem preciso era, pois assim não podia viver, era impossíve.
Eu, ao presenciar tudo isto, exclamava:
― Ó meu Jesus, como havemos de viver assim?
Apesar de estar melhor, os assaltos do demónio ainda continuam a ver se lhe tiram a paz. Agora não fala só de V. Revª, e diz-lhe assim:
— Eles não fazem caso de ti; dizem isso para te enganar; estás cercada por nós. Pertences-nos; nunca mais te salvas.
Outros dias diz-me assim:
— Sinto tantos, tantos desejos de ir para o céu! Ver para sempre face a face o meu querido Jesus, a minha querida Mãezinha do céu e toda a Santíssima Trindade! Parece-me não poder suportar por mais tempo estes desejos.
Diz-me também, que em outras ocasiões é tal o abandono em que se encontra, que nada sente desses desejos e tudo desaparece. Também me pergunta assim:
― O meu paizinho estará zangado comigo? Fui tão marota para ele! Tenho-lhe desobedecido.
Senhor P. Pinho, em nome da Alexandrina, agradeço-lhe a grande caridade que teve em conseguir que aqui viesse o Sr. Dr. Oliveira Dias. Ela diz que bem gostava de lhes pagar, mas já que não pode, que Nosso Senhor se encarregará de lhes pagar por ela. Também pede para que nos recomende muito.
Adeus, por hoje. Por caridade, não se esqueça de pedir por nós, que muito, muito precisamos. Lembranças de minha mãe, da Dª Sãozinha e a Alexandrina pede que lhe envie daí uma grande bênção.
Por caridade, abençoe esta que muito precisa,
Deolinda Maria da Costa.
          P. S. A Sra. Dª Sãozinha manda perguntar se poderá ser atendida no dia vinte ou no dia vinte e um do corrente e a que horas, visto que o comboio, no dia vinte, ainda chega aí cedo.
 Mais uma vez pede a bênção a pobre,
          Deolinda

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