20 de julho de 2011

VAIS SOFRER MUITO, VAIS TER DIAS DE GRANDE PENÚRIA

Jesus, não digais quem são, basta sabê-lo Vós

— Dá-Me a tua dor, dá-Me o teu amor; que é o resgate das almas.
― Meu Jesus, sim eu quero o Vosso amor para com ele Vos amar e fazer com que as almas Vos amem. Dou-Vos a minha dor, sim, de boa vontade; comprai com ela os pecadores, prendei-os para sempre a Vós. As Vossas palavras, meu dulcíssimo Jesus, humilham-me; eu sem ter querer, queria desaparecer, queria desaparecer. O que dizeis de grande é bem, isso me conforta. O que eu quero, Jesus, é estar na verdade, em nada me enganar. Aceitai, aceitai também, Jesus, a dor da minha humilhação.
― Confia, Minha filha, não permito, não consinto que te enganes; é a verdade pura, mais pura que a neve, mais clara que o sol. Eu aceito a dor da tua humilhação, e sabes para quê? Para acudires a certas almas, prestes a caírem no inferno. Vais sofrer muito, vais ter dias de grande penúria.
Vi que Jesus ia a dizer-me quem eram essas almas; acudi logo:
― Jesus, Jesus, não digais quem são, basta sabê-lo Vós. Dou-Vos os meus sofrimentos, para por eles os aplicardes como Vos aprouver. É mais sossego para a minha alma; posso-lhes acudir da mesma forma, não é verdade, Jesus?
― Sim, sim, Minha grande heroína; maior é a prova do teu amor e mais valiosa a tua dor; dares sem desejares saberá a quem. Olha, vem a Minha Mãe Bendita, a Minha Mãe das Dores, mostrar-te quanto Comigo sofre e pedir-te para lhe salvares essas almas, suas filhas também.
Logo ficou a meu lado a Mãezinha das Dores, lacrimosa, com um manto azul e branco e cheio de setas o Seu Santíssimo Coração.
― Minha filha, Minha filha ―  me disse Ela: ― vê quanto eu sofro também; dá a tua dor a Jesus, para Lhe salvares as almas, filhas Dele e filhas minhas.
― Ó Mãezinha, ó Mãezinha, eu não posso consentir que Jesus me peça e Vós me peçais a dor; basta dardes-me os sofrimentos e com eles a Vossa força e amor. Sei que o sofrimento é um grande bem para mim e para as almas; quero sofrer, pois, com toda a generosidade e amor, mas não quero ver ferido o Coração divino do meu Jesus nem ver no Vosso essas setas; passai-as para mim Mãezinha.
Ficaram no mesmo momento no meu coração as setas e a Mãezinha delas libertada: secaram-Lhe as lágrimas, e ficou o Seu Santíssimo rosto, cheio de alegria. Aproximou-se Jesus mais de nós, e disse:
― Vai assistir à Minha Bendita Mãe à passagem do sangue do Meu divino coração para o teu.
Tomou em Suas divinas mãos o Coração todo em chamas, colocou-o sobre o meu; a gotinha de sangue caiu, e logo fiquei com o coração e todo o peito a arder em fogo vivo.
― Jesus, Jesus, morro queimada.
Acudiu a Mãezinha e passou-me sobre o peito as Suas Santíssimas mãos, bafejou-me por algum tempo com os Seus lábios, e disse-me:
― Coragem, filhinha; é o Sangue de Jesus, é o Sangue que correu em Minhas veias, que foi para o teu coração; é a tua vida, é de que tu vives.
Jesus acrescentou:
― Agora és consumida pelo fogo do amor e depois dele apagado ficas a ser consumida pela dor. Foi para isso que te fez ver as setas que feriam a Minha Bendita Mãe. Acode aos pecadores. Ó maravilha, ó maravilha! Leva esta vida que de MIM recebeste, leva o Meu divino Sangue; provo bem claramente que é a tua vida; vai dá-la às almas. Ó prodígio, grande prodígio! Vai corajosa, vai confiada, cheia de amor. Vai dizer ao mundo que, se não foram os teus sofrimentos, já a justiça do Meu Pai o tinha submergido em vulcões de fogo. Que castigos estão sobre ele! Que ameaças o esperam! Ai dele, se não se converte! Vai para a tua cruz, vai com alegria, acode às almas.
― Obrigada, Meu Jesus, obrigada, Mãezinha. Uni o Vosso coração ao de Jesus e ao meu; nesta união vou contente para a minha dor. Sou vítima, sempre vítima, sou a escrava do Senhor. Jesus, Mãezinha, quero força, quero força, seja comigo o Céu.


(Beata Alexandrina Maria da Costa: Sentimentos da alma, 28 de Março de 1947 - Sexta-feira)

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